Apoio de FHC racha aliados de ciúme
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sexta-feira, 23 de outubro de 1998
Marcelo de Moraes e Doca de Oliveira Agência Estado 
O envolvimento do governo federal no segundo turno das eleições provocou insatisfação em dois dos principais partidos aliados do presidente Fernando Henrique Cardoso. Em São Paulo, o candidato do PPB ao governo, Paulo Maluf, não esconde sua irritação com o apoio de última hora do presidente ao tucano Mário Covas, seu adversário na disputa. Do lado do PMDB, a insatisfação com o governo federal está no Pará, Distrito Federal e Goiás. O presidente do partido, senador Jáder Barbalho, que disputa o segundo turno no Pará, disse ontem que Fernando Henrique não deveria ter se envolvido no processo.
A insatisfação começou quando o presidente aceitou gravar mensagens em vídeo pedindo votos para alguns dos seus aliados, como o governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, e o candidato do PFL no Rio de Janeiro, César Maia. O PMDB insistiu na neutralidade e o candidato do partido no Distrito Federal, Joaquim Roriz, acabou ganhando também uma gravação em vídeo do presidente. Para contrabalançar, no entanto, ministros sinalizavam com elogios para seu adversário, o petista Cristóvam Buarque. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, por exemplo, desautorizou publicamente a promessa feita por Roriz de conceder um ajuste de 28,86% para servidores públicos.
No caso da sucessão paulista, as seguidas declarações públicas de Fernando Henrique elogiando Mário Covas aborreceram Paulo Maluf. Em Portugal, para a 8ª Conferência de Chefes de Estado Ibero-Americano, Fernando Henrique pediu votos para Covas, Azeredo e para o governador do Rio Grande do Sul, Antônio Britto.
Alguns aliados do presidente temem que os traumas do segundo turno acabem se refletindo na votação das propostas de ajuste fiscal e das reformas constitucionais. A avaliação é que a dificuldade de garantir votos dentro do Congresso pode tornar-se uma missão muito mais complicada se a eleição provocar sequelas políticas.
Outros aliados do presidente, no entanto, apostam no cacife político adquirido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso pela sua segunda eleição ainda no primeiro e pelo enfraquecimento dos políticos que venham a ser derrotados no segundo turno. Mesmo antes das eleições, o PPB de Maluf nunca apresentou uma adesão completa de sua bancada nos dias de votações importantes para o governo. Se Maluf perder, o PPB deve seguir a tendência natural de apoiar as votações de interesse do governo.


