Apoio de Cassio a pedetista preocupa cúpula do PMDB
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segunda-feira, 21 de outubro de 2002
Rodrigo SaisEquipe da Folha 
Curitiba A adesão do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), à campanha ao governo de Alvaro Dias (PDT) está preocupando a cúpula do PMDB estadual. Os advogados do partido afirmam que entrarão hoje, e não ontem como prometeram, com representações na Justiça Eleitoral contra Cassio e a presidente da Fundação de Ação Social de Curitiba, Marina Taniguchi, por abuso de poder econômico e político.
O PMDB acusa o prefeito de estar utilizando funcionários da prefeitura para fazer campanha para Alvaro na reta final da campanha. As acusações são embasadas pela transcrição de discursos feitos por Cassio, Marina, Alvaro e pelo deputado federal Luciano Pizzatto (PFL) em um comitê em Curitiba no último sábado. De acordo com o discurso de Pizzatto, cerca de dois mil voluntários e funcionários da prefeitura estavam presentes à reunião.
Para o advogado do PMDB, Luiz Carlos Delazari, os funcionários estão sendo coagidos a participar da campanha de Alvaro. ''O Pizzatto fala que eles vão visitar 250 mil casas em uma semana. Como os funcionários da prefeitura vão fazer isso, se não no horário de trabalho?'' Segundo Pizzatto, 86 mil casas já haviam sido visitadas, restando em média visitas a dez casas por dia para cada voluntário presente na reunião.
Os advogados do PMDB também fizeram um pedido de providências à Justiça baseado no discurso de Marina. Segundo nota divulgada pelo partido, ''Marina informou ter distribuído 800 mil correspondências contendo acusações contra o senador Roberto Requião''.
A Folha teve acesso à fita. Na verdade, o discurso de Marina acabou sendo desvirtuado ou mal interpretado pelos advogados do PMDB. Na sua fala, ela relatava um encontro que teria tido com uma senhora, que teria dito a ela: ''Olha, dona Marina, até hoje eu tenho vergonha, mas fui eu que distribuí as 800 mil correspondências pra mostrar o caso do Ferreirinha''.
Em 1990, quando Requião disputava com José Carlos Martinez (hoje PTB) o governo do Estado, um programa eleitoral apresentado às vésperas trouxe um pistoleiro fictício chamado Ferreirinha, que afirmava ser pago pela família de Martinez para fazer grilagem na região de Assis Chateaubriand.
A assessoria de Marina distribuiu nota oficial ontem, eximindo-se de culpa. ''O prefeito e dona Marina entendem que não podem se furtar ao processo democrático de uma eleição. É natural que pessoas que se disponham a trabalhar voluntariamente sigam lideranças políticas, como o prefeito e dona Marina'', diz a nota.


