A adesão imediata à campanha do petista Angelo Vanhoni no segundo turno em Curitiba provocou divergências no PSDB nacional e ampliou o racha na bancada tucana na Assembléia Legislativa paranaense. A Executiva Nacional decidiu censurar o PSDB no Estado depois de optar formalmente pela neutralidade nos municípios onde o partido não está no segundo turno.
No caso parananese, o apoio ao PT teria causado uma situação particularmente embaraçosa ao presidente Fernando Henrique Cardoso. O apoio a Vanhoni gerou descontentamento na cúpula do PFL, que tem candidato no segundo turno em Curitiba: o prefeito Cassio Taniguchi. Como PSDB e PFL são a base da aliança que levou FHC à Presidência por dois mandatos, os pefelistas consideravam natural que o PSDB no Paraná apoiasse Cassio. A situação levou o presidente a articular a neutralidade tucana.
O senador Alvaro Dias, presidente estadual do PSDB, disse à Folha que a censura da executiva nacional é apenas ‘‘uma satisfação formal ao outro lado’’, numa referência ao PFL. ‘‘A direção nacional chegou tarde porque fica muito em cima do muro’’, afirmou o senador que, junto com o candidato derrotado em Curitiba Luiz Forte Netto, anunciou apoio a Vanhoni no dia seguinte ao primeiro turno.
Dos seis integrantes da bancada tucana na Assembléia, apenas um acatou de imediato a decisão das executivas estadual e municipal do partido. José Maria Ferreira é o único peessedebista a integrar a bancada de oposição ao governador Jaime Lerner (PFL). ‘‘(O apoio a Vanhoni) foi uma decisão do partido, cabe a nós segui-la’’, defendeu. Mesmo contrariado, Neivo Beraldin, obedeceu à decisão em nome da coerência partidária e do suposto fortalecimento da candidatura de Alvaro ao governo do Estado em 2002.
Antonio Carlos Baratter (suplente que assumiu a vaga na licença do deputado Renato Gaúcho) e Luiz Fernandes Litro da Silva não pensam assim. Ontem, eles estavam no comitê de Cassio, durante a visita do presidente nacional do PFL, o senador Jorge Bornhausen (SC). Para Baratter, lealdade é apoiar Cassio. ‘‘O PFL nos apoiou em 90, quando elegemos (José) Richa. Apoiamos Lerner para governador em 94 e 98 e, graças ao ‘acordo branco’ com o PFL, o Alvaro teve a votação massacrante na eleição ao Senado’’, justificou Baratter.
Alvaro disse que o partido poderá punir os deputados que apoiarem formalmente Cassio. ‘‘O Baratter e o Litro nem têm base eleitoral em Curitiba. Antes de apoiar alguém, o Baratter precisa se eleger deputado. O Litro nem conseguiu eleger seu candidato em Dois Vizinhos’’, alfinetou o senador.
Alegando estar fora de sua base eleitoral, sem condições de colaborar na campanha, Augustinho Zucchi hesita no apoio a Vanhoni. Na próxima semana, os deputados tucanos se reúnem, na tentativa de unificar sua posição. A reunião será comandada pelo deputado Sérgio Spada, líder da bancada, e contrário ao apoio a Vanhoni.