Arquivo FolhaMeurer: negando o encontro, apesar de flagrado por jornalistasO Palácio Iguaçu conseguiu ontem engordar a lista de deputados dissidentes do PPB que não concordam com o rumo político adotado pelo atual comando, que coloca a sigla como de oposição à reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), em 98. O deputado federal Nelson Meurer quebrou o pacto firmado com o presidente estadual do partido, José Janene, no último domingo, de não comparecer à reunião convocada pelo governador para ontem, às 14h30min, no seu gabinete, e conversou por volta das 15h30min com o chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira.
Flagrado por jornalistas que aguardavam entrevista com o chefe da Casa Civil, o deputado - que foi trazido pelo assessor especial do governador, Guaracy Andrade - negou a conversa para evitar um puxão de orelhas do comando estadual. Admitiu que a sua vontade é apoiar a reeleição do governador, mas jura que se a orientação do partido for outra, segue-a à risca. A presença de Meurer não foi isolada, garante Cândido Martins. Ele diz que ‘‘mais de dois’’ deputados federais mantiveram contato ontem.
Apesar de preservar o anonimato dos deputados ‘lerneristas’, fontes do partido já sinalizavam ontem mesmo a amplitude da dissidência. Além dos deputados estaduais, estariam na lista dos possíveis ‘‘infiéis’’ Fernando Carli, amigo pessoal e ex-chefe da Casa Civil de Lerner, e o pré-candidato do PPB ao governo, Ricardo Barros, que, consciente das dificuldades em emplacar a sua candidatura, estaria ensaiando uma reaproximação.
Cândido Martins não quis revelar o teor da audiência com Meurer ontem, mas tentou mostrar confiança. ‘‘Temos dois meses ainda pela frente. E na política tudo pode acontecer’’, disse o secretário. Nas entrelinhas, Cândido Martins deixou transparecer que a adesão do PPB à frente política costurada pelo grupo de Lerner não é tão relevante sob o ponto de vista formal. Mais que o apoio do comando, numa coligação, o Palácio Iguaçu quer a garantia de adesão dos deputados e prefeitos do PPB, que, segundo a análise governista, são os grandes puxadores de votos numa eleição.
O chefe da Casa Civil afirma que o acordo com o PPB ‘‘já existe na prática’’. ‘‘Senão não estaríamos dando ambulâncias e os deputados não estariam viajando no avião do governador’’, considerou. Cândido Martins assinala ainda que todos os atos do governo Lerner ‘‘têm a participação do PPB’’. ‘‘Com ou sem o PPB, PSDB e PTB, o governador Jaime Lerner é candidato à reeleição’’, ressalvou o secretário, sinalizando que o governo não está disposto a ceder a pressões políticas ou a barganhas na composição da chapa majoritária.
O deputado José Janene não quis comentar ontem a quebra do acordo firmado no domingo nem as declarações de Cândido Martins de que o governo está aberto para o diálogo e de que o PPB é um aliado natural do PFL de Lerner em outubro. (L.D.)

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