O candidato do PPB ao Senado, empresário Tony Garcia, disse ontem que vai usar os três minutos a que tem direito no rádio e na televisão, a partir do dia 18 de agosto, fazer campanha contra o governador Jaime Lerner (PFL) se as direções do PTB e do PFL levarem adiante o apoio prometido ao candidato do PSDB, ex-governador Álvaro Dias, na última quinta-feira. ‘‘Estou agendando uma reunião com o governador. Se ele confirmar que haverá apoio ao Álvaro, convoco coletiva na segunda-feira e rompo com ele’’, declarou o candidato, que, para chamar atenção dos ‘lerneristas’, está disposto até aproximar-se do candidato do PMDB ao governo, senador Roberto Requião.
Garcia reclamou da postura do PFL e do PTB, partidos que assim como o PPB emprestam apoio à reeleição do governador. ‘‘Eu sabia que havia esta história de acordo branco, mas o Lerner me jurou que o grupo jamais apoiaria ninguém para a briga pelo Senado. Foi por isso é que decidi sair candidato’’, assinalou. Tony Garcia disse que a decisão encabeçada pelo presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, e tornada pública durante a semana, veio de Brasília ‘‘a pedido do ex-governador’’. ‘‘O Álvaro está querendo se vingar do Requião, do mesmo jeito que o Requião fez com ele em 94, quando foi abandonado aos ratos’’, disse.
O presidente estadual do PPB, deputado federal José Janene, está dando a maior força para que Tony Garcia rompa com Lerner e assuma candidatura ao Senado independente e de oposição. ‘‘Já sabíamos do alcance deste acordo firmado entre o Lerner e o Álvaro via Brasília. Não tem surpresa’’, observou. Para Janene, as chances eleitorais de Garcia engrossarão se o candidato assumir postura de oposição. ‘‘Caso contrário, eles sempre vão jogar em favor do Álvaro’’, considerou o dirigente. Para ele, a candidatura do PPB ao Senado tem mais espaço e viabilidade na oposição. ‘‘E temos a simpatia de muitos peemedebistas’’, sugeriu.
O secretário-chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, tentou acalmar os ânimos no PPB. Disse que o candidato do partido ao Senado está fazendo uma ‘‘irreflexão’’. ‘‘Esta posição de apoio à candidatura do ex-governador Álvaro Dias, defendida por lidernaças do PFL e do PTB, são autônomas e não do governador’’, tentou minimizar. Para Cândido de Oliveira, fica difícil o governador do Estado impedir o direito de manifestações de políticos, uma vez que o PFL e o PTB não possuem candidatos ao Senado da República. ‘‘Assim como tem gente no PSDB que vai apoiar a reeleição do governador Jaime Lerner’’, comparou o chefe da Casa Civil.
O grupo político do ex-governador Álvaro Dias voltou a considerar que as acusações feitas pelo candidato do PPB ao Senado são sinal de desespero. E que em momento algum houve interferência tucana para que PTB e PFL manifestassem apoio à candidatura do ex-governador, sem exigir que o PSDB se incorpore à campanha pela reeleição de Lerner.Arquivo FolhaTony Garcia: ‘‘Eu sabia que havia esta história de acordo branco’’Leandro Donatti

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