Apoiadores de Bolsonaro voltam às ruas 'sem radicalismos'
Parlamentares do PSL contam que legenda liberou participação em atos, mas que orientação é para se afastar de pautas como intervenção militar e fechamento do STF
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de maio de 2019
Parlamentares do PSL contam que legenda liberou participação em atos, mas que orientação é para se afastar de pautas como intervenção militar e fechamento do STF
Mariana Franco Ramos - Grupo Folha 

Curitiba – Menos coesos do que em protestos anteriores, grupos de direita voltam às ruas de todo o Brasil neste domingo (26) para defender as pautas prioritárias do governo Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Após alguns rachas na semana passada, os organizadores decidiram deixar de lado questões mais radicais, como o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal), a dissolução do Congresso e até a intervenção militar, para focar mais na defesa da reforma da Previdência, no pacote anticrime, do ministro Sergio Moro, e na aprovação da medida provisória 870, que enxuga a estrutura administrativa. O próprio presidente da República, que decidiu não comparecer às manifestações, se posicionou contrário à adoção dos temas “extremistas”.
Movimentos como o MBL (Brasil Livre) e o VPR (Vem pra Rua), que se consolidaram durante a pressão pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), não devem participar, alegando justamente a existência de um “radicalismo” nas convocações. Outros, porém, como o Ativistas Independentes, o Clube Militar, o Patriotas Lobos Brasil, o Direita Paraná e o Direita São Paulo, já demonstraram apoio. Entre os parlamentares do PSL, não existe consenso. Há tanto quem tem se engajado na convocação como quem é contra e quem defende os atos, mas optou por não ir.
No Paraná, o deputado estadual Fernando Francischini (PSL-PR) e o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) estão entre os entusiastas. “Que possamos fazer uma manifestação pacífica, sem atentar contra pessoas, instituições ou autoridades. Queremos dar uma demonstração de apoio. Estamos tentando fazer com que os grupos minoritários mais radicias, que existem tanto na direita como na esquerda, não sejam aqueles que vão dar volume. Nosso volume tem de ser de pessoas de bem, que concordam com as reformas para mudar o País”, diz Francischini, que deve comparecer em Curitiba. O ato começa às 15 horas, na Praça Santos Andrade, e deve seguir até a Boca Maldita.
Pai do também deputado federal Felipe Francischini (PSL), que é presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), a mais importante da Câmara, ele é um dos principais aliados de Bolsonaro. “Vamos direcionar para que ela [manifestação] seja positiva, mais de demonstração de apoio do que de crítica”, prossegue. “Os grupos que defenderam o impeachment sempre foram movimentos ordeiros, que nunca fizeram nenhum quebra-quebra, e é isso que queremos manter”. Sobre o fato de MBL e VPR não se somarem, o parlamentar afirma que não se pode “obrigar ninguém”. “Não vai ser do tamanho do impeachment, mas esperamos que as lideranças políticas possam comparecer”.
LONDRINA
Filipe Barros estará em São Paulo, entretanto, conta que diversas entidades estão auxiliando na organização do protesto em Londrina. A concentração acontece às 15 horas, na Rotatória da Avenida Higienópolis com a Avenida JK. Depois, os participantes sairão em passeata até a Praça da Bandeira, no Calçadão. Segundo ele, os caminhoneiros e os motoqueiros também estão na articulação. “As manifestações foram, na verdade, convocadas pela população e endossadas pela quase totalidade da bancada (…) A expectativa é grande, que as pessoas estejam nas ruas se manifestando por pautas que são do País”, comenta.
Ainda de acordo com o deputado, não haverá espaço para radicalismos, caso dos protestos contra o STF. “Quem for com essa ideia está indo na manifestação errada. Não aceitamos pautas antidemocráticas, que combinam muito com o que o PT defende e defendeu durante muitos anos; se aproximam mais do (Nicolás) Maduro [mandatário venezuelano] e de partidos de esquerda”, opina. Ele lembra que o próprio Bolsonaro já se posicionou contra tais excessos, dizendo que “não são aceitáveis numa democracia”.
BRASIL
Em entrevista coletiva na última terça-feira (21), o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar (PSL-PE), reforçou que todos estão “absolutamente liberados” a participar ou não. “O PSL como partido apoia qualquer movimento em defesa do nosso presidente da República. Porém, esse movimento não partiu do Partido Social Liberal. É espontâneo, nascido nas ruas (…). Só temos a ficar felizes com esse movimento, como tantos outros que possam surgir a favor da pauta do nosso governo”.
O deputado estadual Emerson Bacil (PSL-PR) esteve no encontro da cúpula do PSL em Brasília e reforçou que a determinação foi de apoio a Bolsonaro e à pauta do governo. Conforme o senador Major Olímpio (PSL-SP), a bancada federal teve um “consenso estrondoso". “O que sinto é que todos apoiam”, resume. Olímpio e Bivar negam qualquer ataque ao “centrão” e dizem esperar que as legendas da base estejam juntas. “Todos querem o melhor para o Brasil”, completa o presidente do PSL.
Fundadora do movimento Nas Ruas, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) diz esperar em torno de 400 mil pessoas apenas em São Paulo. “O PSL não vai colocar dinheiro, nem pagar transporte, como fazem o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e a CUT (Central Única dos Trabalhadores)”, alfineta. “Meu posicionamento pessoal é de que manifestação de rua não precisa de apoio político ou partidário. Eu estarei como cidadã comum. Fui convidada a estar no caminhão de som porque sou ativista”, acrescenta.


