Apoiadores de Alcolumbre, 'novatos' do PR prometem independência
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sábado, 16 de fevereiro de 2019
Guilherme Marconi/ Reportagem Local 
Os senadores paranaenses Flavio Arns (Rede) e Oriovisto Guimarães (Pode) estão na lista de 46 novos parlamentares que não tinham cadeira no Senado na última legislatura. Eles fazem parte da estatística de renovação de 87,03% na Casa, considerando as 54 vagas disputadas em outubro passado. Apenas oito dos 32 que tentavam a reeleição obtiveram êxito nas urnas.
Arns e Oriovisto chegaram a Brasília após derrotarem caciques políticos do Estado, como os ex-governadores Roberto Requião (MDB) e Beto Richa (PSDB). Neste início de mandato ambos começaram com discurso da eleição de quebrar o ciclo da "velha política" e de corte de privilégios.
Em entrevista à FOLHA, os parlamentares prometem exigir aplicação melhor dos recursos do Senado e trabalham pela reforma da Previdência (veja box).
Arns apresentou nesta semana um Projeto de Decreto Legislativo propondo a extinção do auxílio-mudança. "São distorções inaceitáveis", diz, ao lembrar que a verba é concedida no início e no final de cada mandato parlamentar até para os reeleitos mesmo estando em Brasília. "O Congresso Nacional tem que ser referência em gestão dos recursos". Ao todo, Câmara e Senado gastam cerca de R$ 40 milhões com o "penduricalho". Arns informou ainda que irá sugerir ao novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que seja formado um grupo de trabalho para redução de outros custos na Casa. "Precisamos de estruturas mais enxutas nos órgãos públicos."
Senador mais rico entre os eleitos, Oriovisto Guimarães foi um dos primeiros a recusar o auxílio-mudança. "Existe já na legislatura, Lasier Martins (Pode-RS) tem um projeto neste sentido. Embora legal, previsto na lei, eu considerei imoral, não ético esse benefício", disse.
CONCILIAÇÃO
Os parlamentares deram apoio à vitória de Alcolumbre, que sepultou a dominância histórica de Renan Calheiros (MDB-AL) no Senado. Para Oriovisto, a tentativa de colocá-lo de volta no poder foi rechaçada. "Há uma preocupação muito grande em aprovar as reformas de que o Brasil precisa. Creio numa mudança significativa."
Segundo Arns, depois do episódio acalorado da eleição da Mesa Executiva do Senado, o clima é de entendimento. "Todas as comissões já foram construídas sem grandes conflitos. O clima e os discursos são de conciliação." Contrariando a bancada da Rede, Arns informa que não será oposição ao governo Jair Bolsonaro. "Não serei oposição nem situação. Procuro dizer que terei posição a favor do Brasil." Como exemplo, o senador cita como positivo o pacote anti-crime proposto pelo Ministro da Justiça, Sergio Moro.


