Dos R$ 59,3 mil repassados na primeira etapa do projeto estratégico Circuito 2003 do programa Rede da Cidadania, da Secretaria Municipal de Cultura, somente R$ 3,7 mil teriam sido utilizados para o pagamento de artistas envolvidos com a ''circulação e articulação de eventos artísticos e culturais na cidade'', como era o objetivo do projeto.
Conforme o plano de aplicação e a prestação de contas do projeto, que estão em posse das promotoras de Defesa do Patrimônio Público, Solange Vicentin e Leila Voltarelli, dos recursos destinados, teriam sido pagos aos coordenadores técnicos e artísticos Maria Fernanda Pinto Coelho e José Cláudio Rodrigues, R$ 19,8 mil; R$ 27,5 mil utilizados para a compra de uma lona (de circo para as apresentações artísticas); R$ 1,8 mil para a aquisição de vales-transporte, e R$ 6,5 mil, que sobraram na conta, teriam que ser devolvidos.
O projeto está sendo investigado em procedimento administrativo instaurado na última semana. A denúncia foi feita pela proponente do projeto, Silvia Sitta. Ela alega que não é autora do projeto e que somente assinou como proponente a pedido de José Cláudio. ''Tenho conhecimento que a maior parte dos projetos surgem da secretaria'', relatou. Silvia trabalhou na Rede da Cidadania, durante seis meses do ano passado, como assessora de imprensa. ''Esse que eu assinei sei que quem elaborou foi o Luciano (Bittencourt) e o Dentinho (Valdir Grandini Alvarez), tenho certeza que não é do José Cláudio e da Maria Fernanda. Quando assinei, foi um ato impensado e por amizade''.
Segundo Silvia, um dos motivos que a fez recorrer ao Ministério Público (MP), foram as ''irregularidades'' que teriam sido detectadas na prestação de contas. ''Foi pago retroativamente para os dois coordenadores técnicos e artísticos. Eles receberam em abril, maio e junho valores dobrados para que pudessem receber de janeiro a março (meses que em que teriam trabalhado antes da aprovação do projeto)'', afirmou.
O secretário de Cultura, Bernardo pelegrini, classificou como uma ''leviandade'' as denúncias de Silvia. ''Pedi a abertura de uma sindicância na Secretaria de Gestão PÚblica para isso, quero ouvir as pessoas envolvidas'', disse.
O ex-coordenador da Rede da Cidadania, Luciano Bittencourt, negou a autoria do projeto. Alvarez disse que fez a orientação. ''Participei da elaboração do projeto, mas não foi eu quem elaborou o projeto. Participei na função de orientar como participar da lei de incentivo.''
Alvarez afirmou que os pagamentos aos coordenadores foram feitos com base nas horas trabalhadas. A Folha não localizou os coordenadores do projeto. José Cláudio prestou depoimento ontem às promotoras e afirmou que Silvia tinha conhecimento dos gastos do projeto. A promotora Leila deverá pedir documentos dos projetos da Rede da Cidadania.

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