Apitaço irrita governador em solenidade
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terça-feira, 21 de junho de 2005
Vera Barão<br> Reportagem Local 
A visita do governador Roberto Requião (PMDB) ontem a Londrina para a entrega de 51 viveiros para produção de mudas acabou em vaias, apitaço e constrangimento. Um grupo de professores e alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), usando nariz de palhaço, promoveu um apitaço no momento em que o governador discursaria para prefeitos da região, entre outras autoridades presentes no Parque Governador Ney Braga. Irritado com a manifestação, Requião gritou e ameçou, por três vezes, não negociar mais a reestruturação do ensino com a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia. O apitaço cessou em seguida. ''Apesar de mal criados, pelo menos eles têm medo'', comentou o governador antes de deixar o parque.
No momento do apitaço, com o microfone em punho, o governador deu seu recado: ''Ou esses moleques param com o silvo, ou paraliso a discussão sobre a reestruturação do ensino por 30 dias. Esse não é o governo de Jaime Lerner. Não admito molecagem nem pilantras. Se não pararem agora, não vai haver negociação'', esbravejou o governador, citando também o ex-governo de Álvaro Dias. ''Na época do Álvaro, ele mandava a Polícia dar uns petelecos nesses moleques. Não vai haver isso no meu governo mesmo com essa molecagem'', enfatizou, sendo aplaudido pelos convidados da solenidade.
Ainda irritado, o governador disse que faltava educação e inteligência aos manifestantes. ''A inteligência deles se resume ao silvo. São alunos da UEL que estão fazendo isso, porém eles sabem que têm um grupo de técnicos trabalhando para a reestruturação do ensino.''
Após o discurso, o governador saiu rapidamente do local acompanhado dos secretários estaduais Luiz Eduardo Cheida (Meio Ambiente), Orlando Pessuti (Agricultura e Abastecimento), Luiz Fernando Delazari (Segurança Pública) e do prefeito Nedson Micheleti, entre outros políticos. Antes de entrar no carro o governador ainda foi questionado por repórteres sobre a reação dos estudantes e professores.
''Recebo isso com naturalidade, o sistema democrático admite isso. Eu fico triste porque eles sabem que o governo está fazendo um esforço brutal para reestruturar as universidades e os esquemas de cargos e salários que vinham numa ilegalidade absoluta e numa disparidade de salários de funcionários dentro de uma mesma universidade e de uma para a outra. O Estado está levando isso a sério, mas eles não são sérios nesse momento'', disse, um pouco mais calmo.
Mostrando controle da situação, o governador disse ainda que é preciso que representantes das universidades tenham respeito e consideração por um governo sério. ''Essa brincadeira não ajuda na restruturação, mas também não atrapalha porque, apesar deles, ela será feita'', garantiu. (Leia mais sobre a crise no ensino superior na Folha Cidades)


