Apesar do acordo, PPB não garante apoio
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segunda-feira, 17 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaCafeteira: no Nordeste, votar contra o funcionalismo é arrumar inimigosO presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu obter o apoio formal do novo presidente do PPB, Paulo Maluf, à sua reeleição, mas isso não garante todos os votos do partido em favor das reformas constitucionais reivindicadas pelo governo. A demonstração concreta de que o racha persiste foi dada na votação do pedido de urgência para a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), na quarta-feira: foram 38 favoráveis ao governo e 40 contrários.
Aquela não foi uma votação para valer, defende-se o deputado Ricardo Izar (PPB-SP), que já era governista antes do acordo. A partir de agora, com o PPB na coligação do Fernando Henrique, ou o partido leva a sério o apoio ao governo, ou desiste, avaliou. Não vai ter jeito de reverter, previu, pessimista, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP), representante do grupo dos contras, que sempre cria problemas ao governo.
O deputado Izar lembra que, desta vez, Maluf está pessoalmente empenhado em aprovar a reforma administrativa. De fato, o ex-prefeito entrou no corpo-a-corpo e telefonou para os deputados pedindo voto. Mas foi uma secretária quem me ligou, e isso não vale nada, diz o deputado Eraldo Trindade (PPB-AP).
Para o deputado, se Maluf quer realmente garantir o apoio de sua bancada, precisa dedicar mais atenção aos parlamentares. Sou contra votar a demissão dos servidores, avisa Trindade, dizendo que nem o pedido de Maluf o fará mudar de idéia.
Mas o deputado Faria de Sá acredita que nem Maluf em pessoa é capaz de fechar a bancada e tem razões eleitorais para duvidar da união em favor da reforma administrativa. O problema é que a parceria na reeleição do presidente é desonesta: só ele capitaliza o sucesso do real, enquanto os fracassos do plano acabam divididos por todos nós.
O líder do PPB no Senado, Epitácio Cafeteira (MA), salienta que a estabilidade do funcionalismo que o governo quer quebrar tem pesos diferentes nas várias regiões do Brasil. No Norte e Nordeste, votar a favor significa arranjar inimigos políticos, sacrifício que os parlamentares não aceitam em véspera de eleição.
Aqui no Maranhão, quem votou contra ganhou outdoor com fotografia e tudo; desse jeito, não tem Maluf que vire voto, avaliou o senador, ao lembrar que seu estado tem 130 mil funcionários públicos e que todos têm família e votam. Muitas pessoas se sentirão desconfortáveis para votar essa reforma, admite o deputado Mário Cavalazzi (PPB-SC).


