Apesar de excedente, Nedson descarta cortes
O prefeito Nedson Micheleti (PT) comemorou ontem a decisão do Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR) a respeito da não inclusão de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) na Receita Corrente Líquida (RCL). Na avaliação dele, o posicionamento ainda não oficial ''apenas corrobora o que vem sendo dito há dois meses'', uma vez que a Prefeitura vinha defendendo a exclusão do recurso para calcular o índice de gastos com pessoal. Por outro lado, o chefe do Executivo municipal descartou adotar ainda este ano ajustes administrativos que possibilitassem reduzir excedentes com funcionalismo - o teto autorizado pela LRF é 54% da receita corrente; a Prefeitura fechou o segundo quadrimestre deste ano em 55,99%.
Segundo o prefeito, não há o que a Prefeitura fazer nesse momento para dar um fim àquela que já é a maior paralisação na história da categoria - a não ser, ressalvou, ''cumprir a LRF''. Nedson descartou a realização de cortes face os números expostos na prestação de contas do quadrimestre, feita semana passada pelo controlador do Município, Sinival Pitaguari. Além dos dados mostrados na ocasião, um estudo nas contas do Executivo (nos sete primeiros meses deste ano) divulgado anteontem pela Controladoria da Câmara de Vereadores também comprovou excedente com despesas com funcionalismo dentro da RCL.
''A análise para medidas posteriores é feita dentro do fechamento do ano, não isoladamente. Até porque, com a greve, há o risco de haver queda na arrecadaçao de impostos da dívida ativa nesses dois meses da greve'', avaliou, para destacar em seguida que, com o fim da paralisação, deve iniciar um mutirão para diminuir a inadimplência.
Cogitadas por vereadores, ao longo desta semana, uma reforma administrativa e a revisão de distorções dentro do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), de 2004, não estão descartadas. ''A reforma administrativa afeta pouquíssimo eventuais desequilíbrios entre receita e gastos; já sobre o PCCS, os vereadores podem me apresentar oficialmente isso, que analisarei'', resumiu.
Questionado se a repercussão da greve afetou o desempenho de vereadores candidatos no pleito de outubro - crítica feita em plenário, contra ele, por vereadores da base aliada -, Nedson admitiu se sentir culpado apenas no caso de Gláudio Lima, de seu partido, derrotado para a Assembléia. Sobre as posições de que seria intransigente, também defendidas pelos aliados, discursou: ''Sou intransigente no cumprimento da lei''. (J.G.)





