Apesar da campanha pró-Sarney, petista mantém candidatura
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - O senador Tião Viana (PT-AC) está disposto a manter sua candidatura à presidência do Senado mesmo com a sinalização do senador José Sarney (PMDB-AP) de que vai ingressar na corrida pelo comando da Casa. Embora nos bastidores o petista reconheça que o seu nome perde força na disputa direta com Sarney, Viana disse a interlocutores que vai continuar em campanha para presidir o Senado.
Senadores petistas receberam com irritação a decisão de Sarney de se lançar candidato porque o peemedebista havia negado a Tião, em diversas ocasiões, a disposição de ingressar na disputa. A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), considerou um ''constrangimento'' o recuo do peemedebista.
''O Tião e o PT seguiram todas as regras da convivência e da cordialidade. Só com o Tião, o Sarney se reuniu pelo menos cinco vezes e disse que não era candidato. Deixar o lançamento da candidatura para a reta final mostra que era algo antigo, orquestrado'', disse Ideli.
Os petistas já admitem que a decisão do PMDB pode arranhar a relação entre os dois partidos com reflexos que podem se estender para a corrida presidencial de 2010. Outro impacto esperado pelo partido está na candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara.
A candidatura de Sarney pode abalar a força de Temer porque muitos parlamentares são resistentes ao duplo comando do PMDB no Congresso. Como o senador tem força no Senado para se eleger presidente, Temer poderia acabar perdendo votos para Ciro Nogueira (PP-PI) e Aldo Rebelo (PC do B-SP) -que também disputam o comando da Câmara.
Ideli disse que já recebeu telefonemas de deputados petistas ontem questionando o apoio à candidatura de Temer, uma vez que o PMDB decidiu lançar Sarney na disputa. Ex-presidente da República, Sarney deve conquistar o apoio de grande parte da base aliada governista e da oposição numa esperada vitória pela presidência da Casa. Líderes petistas vão se reunir esta semana em Brasília para fazer uma avaliação do ingresso do peemedebista na disputa.


