O ajuste fiscal que está a caminho poderá atrasar a criação do Interlegis, programa do Senado de informatização e ligação, pela Internet, dos poderes legislativos federal, estaduais e municipais, admitiu ontem o diretor técnico do projeto, Armando Nascimento. Segundo ele, o programa, avaliado em R$ US$ 50 milhões, já tem rubrica na proposta orçamentária de 1999 e financiamento aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, mas ainda não tem data para execução.
A proposta tem recebido críticas, por não ser considerada essencial em tempos de crise e por seu custo, que é apontado em Brasília como excessivo. ‘‘Temos consciência de que poderá haver algum atraso, mas o horizonte de implantação do Interlegis é de três ou quatro anos’’, afirmou Nascimento no 3º Encontro Nacional de Informática Aplicada ao Legislativo.
O Interlegis prevê que o Senado, a Câmara dos Deputados, as 27 Assembléias Legislativas e 2.500 Câmaras Municipais vão estar ligadas em uma comunidade virtual. Haverá microcomputadores que permitirão o acompanhamento de atividades legislativas e de exceção orçamentária, uma estrutura de videoconferência nas Assembléias, criação de softwares e programas de treinamento e instalação de antenas parabólicas.
A estrutura do projeto ficará parte do tempo à disposição da comunidade, segundo seus idealizadores, para uso em atividades educacionais, e também permitirá o acesso dos cidadãos a informações da administração pública e da legislação.
O projeto, afirmou Nascimento, teve o seu ‘‘embrião’’ lançado há mais de dois anos, por intermédio de um projeto-piloto que criou um site e deu a todos os parlamentares brasileiros a oportunidade de ter sua home page e seu e-mail implantados no sistema de comunicação virtual. ‘‘A partir dele, foi discutida no Senado a importância de modernizar o Legislativo, que é o único poder que não é orgânico’’, disse Nascimento.

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