Apenas um vereador de Londrina decide migrar de partido na janela partidária
Dezessete dos 19 parlamentares tentarão a reeleição; Mario Takahashi e Gerson Araújo ainda não tomaram a decisão
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de março de 2020
Dezessete dos 19 parlamentares tentarão a reeleição; Mario Takahashi e Gerson Araújo ainda não tomaram a decisão
Guilherme Marconi - Grupo Folha 
A janela partidária começa tímida na Câmara Municipal de Londrina. Dos 19 vereadores sondados pela reportagem da FOLHA, apenas João Martins (PSL) admite abertamente que pretende migrar de partido e poderá engrossar a bancada do PL (Partido Liberal) no Legislativo. A partir desta quinta-feira (5), os vereadores que pretendem disputar a reeleição em outubro poderão mudar de partido sem sofrer nenhuma punição. O período segue até o dia 3 de abril.
Em Londrina, praticamente todos os parlamentares ouvidos pela reportagem buscam a permanência na cadeira por mais uma legislatura. Condenado por estelionato em primeiro grau, Gerson Araújo (PSDB), disse recentemente que ainda não definiu seu futuro político. Réu em processo penal na Operação ZR3, Mario Takahashi (PV) não descarta a tentativa de reeleição e informa que ainda irá pesar "o aval da família" antes de encarar a campanha. Entretanto, adiantou que permanecerá no mesmo partido. Já Rony Alves, que também responde ao mesmo processo na Justiça, admite que concorrerá pelo PTB para permanência no cargo.

MIGRAÇÃO
Depois de nove anos no PSL, João Martins alega insatisfação com o partido, principalmente depois de toda a polêmica enfrentada pela legenda no âmbito nacional com racha da ala bolsonarista. O PSL é dono de uma enorme fatia do fundão eleitoral. “O partido passou por uma mudança muito radical e passamos a ser jogados para escanteio”, disse o vereador. Desde 2018, o deputado federal Filipe Barros passou a ser o principal nome do PSL, mas após racha na legenda, também está em litígio com o partido para articular o Aliança Brasil. Segundo João Martins, o PSL local está sem comando. “Quem é o presidente do partido? Ninguém sabe dizer. Antes o PSL era uma família para mim, estou bem magoado.” O vereador alega não se importar com a verba do fundo partidário e diz que a campanha será na sola do sapato.
João Martins está em tratativa com o PL (Partido Liberal). Caso a filiação se confirme, a legenda terá quatro vereadores na Câmara de Londrina, mesmo número que o PP (Partido Progressista), que é a maior bancada atualmente da Casa. Estão no PL Jairo Tamura, José Roque Neto e Estevão da Zona Sul, que também se juntou recentemente ao grupo após ser expulso do Podemos.

ASSEDIADOS
Alguns vereadores assumem que foram assediados por outros partidos para migrarem nesta janela partidária, como Vilson Bittencourt (PSB) e Daniele Ziober (PP). Bittencourt diz que a dificuldade na articulação aumentou neste ano porque os partidos não poderão mais montar coligações para as proporcionais. “Estamos tentando montar essa chapa pura, mas encontramos dificuldades em fechar todos os nomes. Se não der certo, podemos sim conversar com outros partidos", admite.
Daniele responde que deve ficar, por enquanto, no PP, que abriga ainda o presidente da Câmara, Ailton Nantes, Jamil Janene e Guilherme Belinati na base de apoio ao prefeito Marcelo Belinati (PP). Segundo ela, a mudança com o fim das coligações trouxe mais dúvidas e dificuldades aos que buscam a reeleição, sobretudo em partidos menores. “Acredito que irão diminuir os números de partidos, e consequentemente o processo democrático” avalia.


