Curitiba - Dos 54 deputados estaduais, Jocelito Canto (PTB) foi o único que compareceu a todas as 133 sessões plenárias acompanhadas pela equipe da FOLHA ao longo de 2007. O ''campeão'' da ausência foi o deputado estadual Geraldo Cartário (PDT), que faltou a 86 sessões plenárias, entre 133. A assessoria de imprensa da Assembléia Legislativa informou que durante o ano passado foram realizadas 151 sessões ordinárias e 20 extraordinárias (com e sem votação). O levantamento da FOLHA, realizado pelos estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Eduardo Miranda (Ciências Sociais) e Pedro Ernesto (Comunicação Social), abrange 133 sessões plenárias (sendo 132 com votações, entre ordinárias e extraordinárias).

Para o cientista político Ricardo Oliveira, da UFPR, ''desde que justificadas, uma ou outra falta é até normal''. ''O que não pode acontecer é um índice muito grande de faltas, daí é preocupante. Faltas são normais porque o parlamentar é a representação da sociedade, ele deve estar sempre visitando os municípios, cobrando, fiscalizando, participando de eventos, faz parte do seu papel''. Procurado pela reportagem na quarta-feira, Cartário não foi encontrado. Parte das ausências - de março a junho - teria ocorrido por motivos de saúde. Durante um período, Cartário, que foi eleito pelo PMDB, também entrou em conflito com lideranças da legenda e se afastou das votações. No final do ano passado, ele se filiou ao PDT.

Oliveira lembra que a própria Assembléia não faz um controle rígido das faltas e das licenças. ''O mecanismo precisa ser aperfeiçoado.'' O assunto pode ser tratado durante a reforma do regimento interno da Casa, que já era para ter sido concluída no ano passado, mas ficou para 2008. Outra proposta adiada para 2008 é a instalação de um painel eletrônico no plenário para registrar a presença dos parlamentares. As mudanças foram anunciadas no início do ano passado pelo presidente da Assembléia, Nelson Justus (DEM).

Em tese, entretanto, o atual regimento interno já trata de medidas disciplinares. Trecho do artigo 246 do atual regimento interno prevê ''perda temporária do exercício do mandato'' para aquele que ''faltar, sem motivo justificado, à terça parte das sessões''.

Além de ter 86 faltas em sessões plenárias, Cartário não participou de 95 das 132 votações acompanhadas pela FOLHA. De segunda a quarta-feira, as sessões plenárias começam às 14h30, mas as votações das matérias do dia ocorrem só depois dos discursos e discussões iniciais, que às vezes seguem até o final da tarde. ''Existem os especialistas na arte de só 'passar' pelo plenário. Eles vão lá mostrar a cara e depois se retiram'', afirma Oliveira. Dependendo do projeto de Lei em debate, os parlamentares também saem estrategicamente do plenário justamente para não participar da votação. Em matérias polêmicas, é um hábito frequente na Casa.

Fábio Camargo (PTB), por exemplo, faltou a 54 sessões plenárias, mas deixou de participar de 86 votações. Junto com Caíto Quintana (PMDB), também com 54 faltas em sessões plenárias, Camargo figura como o segundo mais ausente da lista. Ele enfatizou que o fato de estar ausente das sessões plenárias não significa que não esteja trabalhando. ''Não fico nas votações porque na maioria das vezes a gente já sabe o resultado delas. A minha base é em Curitiba. Então eu saio para atuar nos bairros, atender a comunidade. Eu me recuso a ficar discutindo título de cidadão honorário ou coisas que não chegam a lugar nenhum, quando a gente sabe que a esmagadora maioria governista vai ganhar'', afirmou ele.

Camargo alega que é ''mais útil fora do plenário'' e que alguns parlamentares assíduos ''nem sempre são participativos''. ''Tem gente ali que nem sabe o que está acontecendo. Eu tenho muito o que fazer nos bairros, é o meu método de trabalho. Quem tem que me julgar é a população e até agora deu certo. Prefiro conhecer o problema das pessoas a ficar de terno e gravata, tomando café, no ar condicionado'', argumentou ele. Quintana também foi procurado pela reportagem, mas não atendeu o celular.

O cientista político afirma que, de fato, boa parte dos parlamentares que está no plenário fica ''em rodinhas de conversa'', mas enfatiza que os eleitores ''gostam de um padrão de assiduidade''. ''O caso do Jocelito Canto é específico. Durante 2007 seu mandato estava a perigo (em função de decisões da Justiça), mas ele também tem um perfil de parlamentar assíduo. O fato dele ter se destacado entre os demais é positivo, é um mérito que precisa ser reconhecido'', afirma Oliveira.

Entre os dez menos faltosos da lista, cinco são ''novatos'', ou seja, cumprem mandato na Casa pela primeira vez: Bete Pavin (PMDB), Professor Luizão (PT), Douglas Fabrício (PPS), Rosane Ferreira (PV) e Marcelo Rangel (PPS). A justificativa mais comum para as faltas é a participação em eventos em geral (conferências, reuniões) fora da cidade de Curitiba.

mockup