Apenas um atrito comum
Não tem dimensão, pelo menos à altura da encenação, o conflito entre quem entra e quem sai do governo paranaense, simplesmente a governadora que sai deu um ritmo forte aos seus últimos atos, entre os quais o contrato da dragagem do porto, que ficou longo tempo no aguardo das licenças ambientais que o Bolsonaro promete simplificar. Também não se trata de choques de Egos, até porque o brilho de quem entra, a partir de 1º de janeiro, é maior do que o de quem sai, o que não lhe tira o direito de celebrar até o cumprimento das faixas ao sucessor.

Conflitos virão depois certamente na discussão se sobrou mais dívidas do que receitas que as prometidas auditorias poderão fundamentar. Historicamente as passagens de governos foram educadas e formais (ponha formol nisso), o que não impediu conflitos como os do maior ciclo de governança do Bento-Ney Braga quando Paulo Pimentel assumiu. Ocorre que neystas queriam dar palpites demais na nova situação, como se o chio partisse do líder maior.
Não querer sair do governo lembra espírito apegado demais à matéria que só "despachos", mais eficazes que os burocráticos, resolvem. Acabaram se acertando, com algumas trocas, nem sempre sutis, de insinuações que só se transformaram em conflito aberto quando o grupo neysta, comandado por Affonsinho Camargo, assessorado por Carlos Nasser, tirou a Globo do Canal 4 de Pimentel e a transferiu ao Canal 12 de Cunha Pereira com respaldo de Roberto Marinho e dos militares.

Aliás, é bom lembrar dessa fase - a de Ney e seus sucessores - na abertura de um novo governo no sentido efetivo de reformas que vão além de saques isolados como o combate a mordomias que pelo menos, ao que se saiba, não foram denunciadas e nem perseguidas quando Beto Richa era governador e Ratinho um dos seus auxiliares mais importantes em proselitismo eleitoral.

Ranking
No ranking da "Folha de S.Paulo" o Coritiba aparece em 17º, com 320 pontos, e o Athetico em 20º, com 275, soma de estaduais, regionais, brasileiros, Libertadores etc. Internacionalmente, o rubro-negro fica em 87º, ao lado de Roma-Bayer Leverkusen. Com a Sul-Americana subiu 25 pontos. Dos melhores do ano, o paranaense em sétimo lugar numa lista aberta pelo Real Madrid. No ranking estadual o coxa sai à frente, com 273 pontos contra 184 do rival, 63 do Ferroviário e 50 do seu sucessor, o Paraná.

Balneabilidade
Afora os 10 pontos permanentemente interditados, as praias do Paraná estão em boas condições de uso, fora a Ponta da Pita em Antonina. Ao lado desse local há a prainha mais frequentada da cidade, beneficiada porém por maior movimento da maré e melhor oxigenação. Com os calores recordistas é uma saída. A análise das águas abrange o interior e mormente a Costa Oeste que Jaime Lerner consagrou com os Jogos Mundiais da Natureza, ideia mal aproveitada.

Mordomias
Mordomia foi um dos discursos de Collor. Lembro que Lula, no debate, chamou-o de perseguidor de maracujás até porque marajás têm resistência. Agora a equipe do Ratinho repete o estribilho, o que faz lembrar uma onda havida contra gastos com cafezinho na Assembleia Legislativa que levou Valdir Rossoni, seu presidente, em nome da moralidade pública, aboli-lo radicalmente. Imagine repartição pública sem cafezinho, tão necessário nas relações políticas. Foi temporário, mas chateou e restabelecido por Traiano, que deve ter marcado ponto nas razões do recente consenso que o favoreceu para ficar na presidência.

Os ipês
Para engajados a obrigação política seria ficar entre o amor e o ódio a Lula e Bolsonaro. Não fazê-lo seria, na terminologia de 1954-1964, alienação, estar fora do contexto como apregoava o "Pasquim". Olhar os ipês amarelos em dezembro em plena floração rumo ao ano novo seria escapismo, fuga, evasão. Lá no pantanal, onde seu brilho, em meio ao verde, se faz mais intenso, ele é chamado "piúva". Pois eu comentava isso com o taxista quando ele contou, a pretexto de variações climáticas, que um seu primo com sítio no oeste colheu ano passado 27 toneladas de mel de abelhas africanas e nada, nenhum pingozinho, neste ano. Isso não deve ter acontecido com o primeiro deputado estadual do PT, também do oeste, que sozinho valia uma bancada, o Pedro Tonelli, até hoje apicultor, que poderia, agora nas celebrações que os engajados pretendem fazer a Lula, na passagem do ano, levar o seu produto como oferenda à falta de incenso, ouro e mirra.

Folclore
Parece incrível, mas quando Dilma Rousseff caiu estava com 63% de ruim e péssimo, um ponto ainda acima dos 62% atribuídos pelo mesmo Datafolha agora a Michel Temer, que aparecia com 82% nesse indicador em junho. De agora em diante, Temer encara aqueles dois processos que a Câmara Federal contornou e mais aquele dos portos. Só um habeas corpus - e ainda em juiz de primeira instância - restabelecerá o "Fora, Temer". Fora da cadeia

mockup