Aos 16 anos completados ontem, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) tem pela frente muito mais que resolver um problema sério de falta de pessoal e infraestrutura para pensar a cidade de 500 mil habitantes. ''Tem que ter mais objetividade para, no desenvolvimento dos projetos, trabalhar com mais simplicidade'', afirma o recém-empossado presidente do órgão, Carlos Alberto Hirata. Para o geógrafo, não bastam os projetos - que são vários, afirma: de parcerias com universidades a mudanças no plano viário - se não houver uma harmonia Executivo-Legislativo na parte técnica no que tange às famigeradas mudanças de zoneamento, que, ano passado, foram parte do maior escândalo vivido na história da Câmara de Vereadores da cidade. ''A lei é um imperativo, e o papel da Câmara é importante. O que falta é a própria população ter mais consciência ao que se propõem as esferas de poder e acompanhá-las'', sugere.
De acordo com o presidente do Ippul, entre as propostas estudadas para o plano viário está a adoção da mão dupla intercalada. ''Hoje temos como regra as vias de mão única. Se houver viabilidade, implementamos uma via de mão dupla entre as de mão única para evitar os chamados percursos negativos'', disse. Já a respeito das intervenções no espaço urbano - entre as quais, admitiu, as próprias alterações de zoneamento comuns pelos projetos de parlamentares -, defendeu: ''Temos que buscar mais qualidade, e não frear o desenvolvimento - mas e as pessoas no entorno daquilo que é alterado? Precisamos buscar um paradigma de humanidade'', definiu.
O geógrafo aponta outro desafio rumo aos 17 anos do instituto: um novo olhar sobre os bairros que compõem uma Londrina de várias faces. ''Há bairros envelhecidos que ficaram no passado, mas têm toda a possibilidade de brilhar, e novos pontos foram abertos como se eles simplesmente não existissem, como se fossem organismos invisíveis''. Sobre o Plano Diretor, cujos projetos complementares ainda carecem ser enviados à Câmara, resumiu: há uma ideia, ainda embrionária, de fazer com que o Ippul não dependa só de fontes de recurso centrais para por em prática essas demandas. ''Queremos também parcerias com entidades''.
Para o presidente da Câmara, José Roque Neto (PTB), a expectativa para o próximo semestre é que os projetos de lei de natureza técnica sejam subsidiados por explicações de técnicos do Ippul ''sempre que necessário, e até que as dúvidas se esgotem''. ''Vamos esgotar as dúvidas com um técnico do Ippul toda vez que tiver de ter esse tipo de parecer para votação. Não se pode aceitar algumas estratégias para melhorar só a vida de alguns; queremos que prevaleça o diálogo e o bom senso por parte dos vereadores''. Se acredita que a tarefa será fácil - uma vez que nem sempre a mudança de zoneamento é travestida de interesse coletivo? ''Tenho procurado convencer cada parlamentar que tem que ter essa dimensão do bem maior para a cidade, embora cada um queira puxar a sarinha para sua brasa. Mas o Hirata é inteligente e maduro e vai nos ajudar muito.''

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