Brasília - Com 15 anos completados hoje, a Constituição brasileira mantém sua tendência permanente de reformas. Já bateu todos os recordes de alteração, se comparada às sete anteriores. Sofreu mudanças em 46 pontos - 40 emendas constitucionais e 6 emendas de revisão. Alguns capítulos, como o da ordem econômica, foram mudados por completo, revirados do avesso: de monopolista e estatizante passou a ser aberto e privatista.
Cada candidato a presidente acostumou-se a incluir em seu programa de governo mudanças constitucionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avançou até mais do que prometeu. A sua reforma da Previdência surpreendeu todo mundo. Prevê a cobrança da contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos, assunto temido nos partidos de centro e tabu no PT. Tem conseguido boas vitórias, embora com algum custo político.
Quatro parlamentares do PT - os deputados João Batista Araújo (PA), o Babá, João Fontes (SE), Luciana Genro (RS) e a senadora Heloísa Helena (AL) - serão expulsos por não aceitarem as modificações. Outros oito deputados desobedientes foram punidos com a suspensão das atividades partidárias por dois meses.
Quando o ano terminar, a Constituição, promulgada em 5 de outubro de 1988 durante uma sessão festiva que teve de tudo, de chuva de papel picado ao choro emocionado de constituintes, chegará à fabulosa marca de 48 emendas em 15 anos.
Outra marca fantástica: na Câmara tramitam 1.138 projetos de emendas constitucionais. No Senado são 237. O arquivo da Constituinte de 1987/88 está guardado em 2.708 caixas, que ocupam uma extensão de 272,94 metros nas prateleiras da Biblioteca da Câmara.

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