Filho de Roberto Requião é um dos líderes da oposição: "Precisamos de perfil mais combativo"
Filho de Roberto Requião é um dos líderes da oposição: "Precisamos de perfil mais combativo" | Foto: Sandro Nascimento/Alep



Curitiba - Na AL (Assembleia Legislativa) do Paraná, 13 dos 54 membros que hoje exercem mandato são considerados herdeiros políticos. Desses, dez confirmaram à FOLHA que irão buscar a reeleição. Outros dois, Pedro Lupion (DEM) e Felipe Francischini (PSL), tentarão uma vaga na Câmara Federal. Já Bernardo Ribas Carli (PSDB) ainda não definiu que cargo disputará. As convenções partidárias, ocasiões em que os nomes dos candidatos são lançados oficialmente, acontecem apenas em agosto, dois meses antes do pleito.

"Dei minha contribuição no Parlamento estadual. Sou um deputado que lida muito com o municipalismo, mas principalmente com o setor ruralista. A legislação toda referente à [questão] ambiental e rural do País é decidida em Brasília. Lido muito com segurança pública, onde a legislação também é feita em Brasília, e acho que está dado o momento de representar a minha região lá", afirmou Lupion, atualmente líder do governo Cida Borghetti (PP) na Casa.

Bisneto do ex-governador do Paraná Moysés Lupion e filho do ex-deputado federal Abelardo Lupion, ele se disse orgulhoso da trajetória da família. "Eu sou a sexta geração. Não tem ponto negativo nenhum nisso. Pelo contrário. A família Lupion tem se dedicado ao desenvolvimento do Estado do Paraná há décadas (...) Eu já estou no meu segundo mandato de votação dobrada aqui. É contribuição mesmo para os pequenos municípios, para o interior do Estado, extremamente municipalista".

Além dele, de Felipe, que é filho do deputado federal Fernando Francischini (PSL), pré-candidato ao Senado, e de Bernardo, filho do ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli e irmão de Carli Filho, há ao menos outros dez exemplos de hereditariedade na AL. O líder da oposição, Anibelli Neto (MDB), é filho de Antônio Anibelli; Maria Victoria (PP) é filha da governadora e do deputado federal Ricardo Barros (PP) e Alexandre Curi é neto de Aníbal Curi, que já foi presidente da AL.

Também são parentes de políticos: Paulo Litro, do PSDB, (filho de Rose Litro e Luiz Fernandes Litro), Alexandre Guimarães, do PSD (filho de Affonso Guimarães), Andre Bueno, do PSDB, filho do ex-prefeito de Cascavel Edgar Bueno, e Evandro Junior, do PSDB, neto do também ex-presidente do Legislativo Hermas Brandão. Completam a lista Requião Filho (MDB), filho do senador Roberto Requião (MDB), Tiago Amaral (PSB), filho do presidente do TC (Tribunal de Contas), Durval Amaral, e Artagão Jr. (PSB), filho do conselheiro do TC Artagão de Mattos Leão. Todos tentarão a reeleição em outubro.

Bisneto de Moysés Lupion é líder de Cida Borghetti e tentará vaga na Câmara: orgulho da trajetória da família
Bisneto de Moysés Lupion é líder de Cida Borghetti e tentará vaga na Câmara: orgulho da trajetória da família | Foto: Pedro de Oliveira/Alep



MANEIRAS
Para Requião Filho, é normal o filho querer seguir o caminho do pai. "Mas tem mais de uma maneira de chegar lá – tem o pai do governador que obriga os prefeitos a receberem seus filhos e tem quem precisa fazer campanha, correr atrás de voto e rodar o Estado", comentou. Segundo ele, os parentes hoje saem sim em vantagem. Entretanto, tudo depende do tipo de campanha e da política que é feita. "As proibições [da nova lei eleitoral] foram feitas para facilitar a reeleição, mas acabam privilegiando quem já tem uma marca", opinou.

Ainda assim, o emedebista considera sua trajetória diferente das de muitos colegas novatos. "Eu levei 35 anos para entrar na política. Não entrei com 20, nem ganhei mandato do meu pai. Vim para a briga no PMDB contra o [ex-governador e pré-candidato ao Senado] Beto Richa (PSDB). Nessas conversas com os correligionários que surgiu, por parte deles, a ideia da candidatura", justificou. Requiãozinho falou ainda que espera mais renovação na Assembleia. "A gente precisa de um perfil mais combativo. Hoje se confunde harmonia com o Executivo com submissão".

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