Brasília - O governo começou o ataque ao adversário Geraldo Alckmin, candidato da Coligação Por um Brasil Decente (PSDB/PFL), na disputa pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato da Coligação A Força do Povo (PT/PRB/PC do B). Ontem, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, deu o tom do que deve ser o debate daqui para frente: acusações mútuas de corrupção. A estratégia de Alckmin será insistir na vinculação de Lula com o escândalo do dossiê contra tucanos.
Em entrevista no Palácio do Planalto, Tarso afirmou que o PSDB tem ainda que explicar as denúncias de compra de votos, para aprovar a emenda de reeleição, e as tentativas de abafar a criação de CPIs durante o governo Fernando Henrique Cardoso. ''O presidente Lula está sequioso por esse debate, que não teve oportunidade de fazer no primeiro turno'', afirmou. ''A nós interessa esse debate ético. Vamos ter oportunidade de verificar quem teve coragem de investigar e cortar na própria carne''. O ministro, apesar de não falar em nome da campanha, já que é um membro do governo, mostrou que vai entrar na linha de frente dos ataques aos tucanos.
A linha principal é tirar do passado as denúncias de corrupção que surgiram no governo Fernando Henrique Cardoso. Não apenas a compra de votos para a reeleição, mas escândalos que resultaram no fechamento da Sudam e da Sudene e suspeitas nas privatizações de empresas de telefonia. A lista já havia sido dada no dia anterior pelo ex-ministro e deputado federal eleito Ciro Gomes. ''Os partidos quando estão no governo têm a obrigação de investigar profundamente casos de corrupção, mesmo quando tenham pessoas próximas ou do partido, coisa que o PSDB não fez'', acusou. ''Passou a mão por cima da corrupção quando esteve no governo, não teve coragem de fazer nenhuma investigação profunda, bloqueou todas as CPIs'', acusando também o candidato tucano, Geraldo Alckmin, de abafar CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo quando era governador de São Paulo.
A campanha de Alckmin vai insistir nos ataques do candidato a Lula, no que diz respeito à compra do dossiê por políticos tucanos. A avaliação entre a cúpula do PSDB e do PFL é que, na reta final do primeiro turno, Alckmin conseguiu retirar votos de Lula ressaltando que o partido do presidente seria o responsável pela compra do material. A idéia dos coordenadores é que Alckmin continue cobrando publicamente de Lula e do governo duras investigações sobre a origem do dinheiro que seria utilizado na compra do documento.
O primeiro debate entre os presidenciáveis programado para o segundo turno das eleições, marcado para este domingo na TV Bandeirantes, já tem confirmação de Geraldo Alckmin, candidato tucano, e de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT. O próximo deve ser realizado pela TV Gazeta, no dia 17. A TV Globo ainda não tem definição da data que fará seu debate entre os candidatos, mas as coordenações das campanhas eleitorais confirmam que já estão em negociação com a emissora para acertar a participação. 6(Com Folhapress)

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