Ao Gaeco, vereadores negam coação a testemunha durante depoimento na Câmara
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quarta-feira, 18 de julho de 2018
Guilherme Marconi e Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 

O delegado do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em Londrina, Alan Flore, ouviu na tarde desta quarta-feira (18) os vereadores Roque Neto (PR), Vilson Bittencourt (PSB) e João Martins (PSL), na apuração de possível coação do agricultor Júnior Zampar durante depoimento dele à CP (Comissão Processante) composta pelos três parlamentares. Para Roque e Bittencourt, não houve constrangimento Martins se recusou a falar com a imprensa. O procurador jurídico do Legislativo, Miguel Aranega Garcia, também esteve na sede do Ministério Público para ser ouvido.
Os parlamentares apuram possível quebra de decoro por Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), afastados das funções por suspeitas de envolvimento em esquema de corrupção descrito pela Operação ZR-3, do Gaeco. Zampar é vítima do caso para o Ministério Público e, chamado para depor na Câmara, ele diz ter se sentido coagido pelos advogados de defesa dos vereadores investigados. Zampar ainda reclama de ser impedido de chamar um advogado durante o depoimento e de deixar a sala.
À imprensa, Roque, que preside a CP, contou que disse ao delegado o que ocorreu no depoimento de Zampar, no dia 7 de julho, na Câmara ocasião em que o advogado de Rony, Maurício Carneiro, disse que o empresário mentia e deu voz de prisão. Roque suspendeu a reunião e os membros da CP se reuniram com Paulo Anchieta, também advogado do Legislativo, para discutir o que seria feito. "Quando voltamos para a sala, ele [Zampar] questionou se precisava de advogado e eu disse que, via de regra, testemunhas não precisavam. Uma assessora perguntou se ele queria ligar para algum advogado e ele disse que não, que não tinha um naquele momento. Reabri a sessão e indeferi a voz de prisão", diz Roque.
O presidente da CP também disse que não foi proibida a saída de Zampar da sala em que ele era ouvido e considera que não houve coação ou constrangimento. "Era a primeira vez do denunciador junto com os denunciados, é claro que haveria acirramento dos ânimos, mas conseguimos controlar. Para mim, houve aquilo que é muito normal diante de uma situação como essa", afirma.
Vilson disse ter reiterado o teor da gravação do depoimento, que já foi entregue ao MP, e também avalia que não houve coação da testemunha tipificada como vítima na investigação do Gaeco. "Para mim, foi uma ação tranquila de um advogado. Cada um tem sua maneira de trabalhar e eu penso que exerceu a função, sem exaltar", diz.
Alan Flore afirma que ainda há outras pessoas a serem ouvidas, mas informou que Carneiro, que deu voz de prisão, ainda não foi intimado a comparecer para depor.


