Está nas mãos do vereador João Martins a relatoria da CP que pode culminar na cassação de dois ex-presidentes da Casa
Está nas mãos do vereador João Martins a relatoria da CP que pode culminar na cassação de dois ex-presidentes da Casa | Foto: Anderson Coelho


O delegado do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Alan Flore, ouviu nesta quarta-feira (18) os vereadores Roque Neto (PR), Vilson Bittencourt (PSB) e João Martins (PSL), na apuração de possível coação do agricultor Júnior Zampar durante depoimento dele à CP (Comissão Processante) composta pelos três parlamentares. Para Roque e Bittencourt, não houve constrangimento – Martins, acompanhado de um advogado, se recusou a falar com a imprensa. O procurador jurídico do Legislativo, Miguel Aranega Garcia, também foi ouvido na sede do Ministério Público.

Os parlamentares apuram possível quebra de decoro por Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), afastados das funções por suspeitas de envolvimento em esquema de corrupção descrito pela Operação ZR3, do Gaeco. Zampar é vítima do caso para o Ministério Público e, chamado para depor na Câmara, ele diz ter se sentido coagido pelos advogados de defesa dos vereadores investigados. Zampar ainda reclama de ser impedido de chamar um advogado durante o depoimento e de deixar a sala.

À imprensa, Roque, que preside a CP, contou que disse ao delegado o que ocorreu no depoimento de Zampar, no dia 6 de julho, na Câmara – ocasião em que o advogado de Rony, Maurício Carneiro, acusou o empresário de mentiroso e deu voz de prisão. Roque suspendeu a reunião e os membros da CP se reuniram com o advogado do Legislativo, para discutir o que seria feito. "Quando voltamos para a sala, ele [Zampar] questionou se precisava de advogado e eu disse que, via de regra, testemunhas não precisavam. Uma assessora perguntou se ele queria ligar para algum advogado e ele disse que não, que não tinha um naquele momento. Reabri a sessão e indeferi a voz de prisão", relatou Roque.

O presidente da CP disse que não foi proibida a saída de Zampar da sala. "Era a primeira vez do denunciador junto com os denunciados, é claro que haveria acirramento dos ânimos, mas conseguimos controlar. Para mim, houve aquilo que é muito normal diante de uma situação como essa", afirmou.
Vilson disse ter reiterado o teor da gravação do depoimento, que já foi entregue ao MP, e também avaliou que não houve coação da testemunha – tipificada como vítima na investigação do Gaeco. "Foi uma ação tranquila de um advogado. Cada um tem sua maneira de trabalhar e eu penso que exerceu a função, sem exaltar", disse.

Flore afirmou que "naquele momento na CP um crime de falso testemunho não poderia ser caracterizado". Segundo o delegado, o inquérito apura a "intimidação" daquele cuja denúncia "compromete atuação dos vereadores processados". Flore disse que outras pessoas devem ser ouvidas, mas informou que Carneiro (autor da voz de prisão) ainda não foi localizado para receber a intimação para depor.

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