A ex-presidente do Ippul Ignez Dequech e o advogado, na sede do Gaeco: defesa diz que a arquiteta não cometeu qualquer ato ilícito
A ex-presidente do Ippul Ignez Dequech e o advogado, na sede do Gaeco: defesa diz que a arquiteta não cometeu qualquer ato ilícito | Foto: Ricardo Chicarelli



Os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado) iniciaram nesta quinta-feira (1º) a tomada de depoimentos dos 11 investigados na Operação ZR3, que apura suposto esquema de corrupção de agentes públicos e empresários envolvendo aprovação de projetos referentes a mudanças de zoneamento no município.

Os promotores concluem hoje o procedimento investigatório e terão mais cinco dias para oferecer a denúncia. Depuseram na tarde desta quinta-feira a ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), Ignez Dequech, o ex-secretário municipal do Ambiente Cleuber Moraes de Brito e os loteadores Homero Wagner Franjo, Brasil Filho, Vander Mendes e José de Lima Castro. Todos negaram qualquer participação em atos ilícitos. Nesta sexta-feira (2) estão marcados os depoimentos dos vereadores afastados Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), do chefe de gabinete de Alves, Evandir de Aquino, do servidor da Secretaria Municipal de Obras Ossamu Nagakamura e do empresário Luiz Guilherme Alho.

Ex-secretários municipais na gestão de Alexandre Kireeff, Ignez Dequech, Cleuber Moraes e Alho eram membros do CMC (Conselho Municipal de Cidades) e foram afastados do órgão após o início da operação ZR3. O Gaeco afirma na investigação que havia um conluio entre os três conselheiros do CMC, os dois vereadores e o servidor da Secretaria de Obras para elaborar projetos técnicos visando mudanças de zoneamentos em lotes localizados na Gleba Lindoia (zona leste) mediante pagamento de propina.

A ex-presidente do Ippul preferiu não falar com a imprensa. O advogado de defesa dela, Marcos Ticianelli, afirmou que Dequech tinha relações "lícitas e profissionais" com alguns dos envolvidos na investigação.

"Ela desconhece qualquer atividade ilícita nos trâmites do seu trabalho e todos os esclarecimentos serão dados durante o inquérito e nos procedimentos oficiais. Ela não tem responsabilidade qualquer sobre as supostas acusações. Estamos ficando a par de toda a situação ainda e os esclarecimentos técnicos serão feitos dentro do processo", declarou. Na ação do Gaeco, há um áudio de uma conversa telefônica entre Ignez e o empresário Júnior Zampar em que ela indica os serviços do lobista Luiz Guilherme Alho para a elaboração de projetos técnicos visando a mudança de zoneamento dos lotes de Zampar de área industrial para residencial. Na conversa, Ignez afirma que o orçamento de Alho (R$ 1,6 milhão) é caro porque ele precisaria fazer "agrados" aos vereadores.

TRANQUILO
Já o ex-secretário da Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) Cleuber Moraes de Brito disse que não tinha relacionamentos com os vereadores, nem com a grande maioria dos investigados. "Meu objetivo é desconstruir essa ideia de que eu me beneficiei ou participo de alguma organização criminosa. Participar de uma suposta organização tem que ter benefícios. Nunca soube e nunca participei. Com a grande maioria das pessoas investigadas, eu nem tenho relacionamento", comentou Brito, que tem uma empresa que elabora estudos de impacto de vizinhança.

Brito, que também é professor na Universidade Estadual de Londrina, ainda revelou que participou do processo de apenas um empreendimento investigado. "Me foi dada a oportunidade de não falar, mas eu não tenho nenhum problema em esclarecer e explicar detalhadamente a minha participação. Estou tranquilo, não me furto de falar ou de fazer as minhas declarações."

Além disso, o professor garantiu isenção quando atuava como membro do CMC. "As perguntas foram mais sobre como funcionava o Conselho (Municipal de Cidades). Eu já tinha afirmado, anteriormente, que esta denúncia não procede. Eu sou um técnico de origem de carreira e minha participação é na elaboração de projetos técnicos, não participo de tramitação. No Conselho, eu sempre preservei pela isenção. Nunca votei em pautas envolvendo EIVs (Estudo de Impacto de Vizinhança) em nenhum projeto que minha empresa já tivesse feito." Sobre o depoimento dos ex-secretários, Antunes disse que Brito e Dequech optaram por prestar os esclarecimentos pedidos, mas não revelou o conteúdo dos depoimentos devido ao sigilo.

Os advogados dos empresários ouvidos nesta tarde afirmaram que não vão se manifestar sobre o caso e que os clientes vão prestar esclarecimentos apenas no decorrer do processo. (Colaborou Fábio Galiotto)

TESTEMUNHA
Em entrevista coletiva, o promotor do Gaeco Leandro Antunes revelou que o irmão de um dos empresários investigados disse que presenciou um dos fatos apurados. Questionado se seria um pagamento de propina, o promotor preferiu não entrar em detalhes para não atrapalhar o andamento da investigação e pelo sigilo do processo. Ele adiantou que espera encerrar as oitivas dos investigados nesta sexta-feira (2). "É uma sequência do trabalho de hoje. Nossa ideia é iniciar no começo da tarde desta sexta e se for necessário entrar no começo da noite", adiantou o promotor, que ainda informou que os documentos colhidos na busca e apreensão estão sendo analisados para conclusão do processo.

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