Anúncio de corte pode sair hoje
Agência Estado
De Brasília
O governo deve definir hoje como fará o ajuste no projeto de lei do Orçamento de 2000 para compensar a perda de R$ 2,4 bilhões com a decisão do STF. A principal preocupação do governo é mostrar à missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que chega ao Brasil na próxima segunda-feira, que não abre mão do cumprimento da meta fiscal de R$ 28,3 bilhões, apesar da proibição para a cobrança da contribuição previdenciária dos servidores públicos federais inativos e o aumento da alíquota do funcionalismo em serviço.
A tendência é que o Executivo encaminhe um novo projeto de lei ao Congresso, no prazo de cerca de dez dias, com os cortes nas despesas de custeio ou investimento ou nos dois tipos de gastos. Essa possibilidade é considerada a mais viável, uma vez que o aumento de tributos foi rejeitado pelos líderes dos partidos da base governista.
Seria um fato inusitado os congressistas fazer os cortes nas despesas previstas no Orçamento. A proposta que tramita na Comissão Mista do Congresso considera entre as receitas os R$ 2,4 bilhões estimados com a cobrança da contribuição previdenciária dos inativos e com o aumento da alíquota dos servidores ativos.
O Executivo não quer deixar para daqui a 15 dias essa definição, uma vez que, na próxima semana, o funcionamento do Congresso estará prejudicado pelo feriadão do dia 12, Dia de Nossa Senhora Aparecida. O relator do Orçamento, deputado Carlos Melles (PFL-MG), disse ontem que o Executivo só pode encaminhar ao Congresso uma mensagem modificando o projeto de lei orçamentária original antes do início da votação, que, no caso, se dá pela apreciação do parecer preliminar do relator. A Comissão Mista de Orçamento marcou para amanhã a votação do parecer preliminar do relator, daí, a necessidade de o governo enviar as propostas do ajuste ainda hoje.
As medidas compensatórias na lei orçamentária são necessárias principalmente para convencer o mercado e a sociedade que o Brasil será capaz de cumprir a meta de superávit primário (receitas menos despesas, exceto juros da dívida pública) de R$ 28,3 bilhões.





