Antônio Carlos prefere o silêncio
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segunda-feira, 15 de maio de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
O deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSB) usou o silêncio e um sorriso irônico para comentar a decisão da Justiça que autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico e a indisponiblidade de seus bens. Meus advogados é que vão tratar desse assunto foi a única frase que Belinati disse, depois de sair da primeira reunião da CPI dos medicamentos, da qual é o relator.
A reunião, sem qualquer resultado prático para a CPI, apesar do longo depoimento do secretário de Estado da Saúde, Armando Raggio, durou pouco mais de duas horas. Na saída da sala das comissões (no andar superior do plenário da Assembléia), apesar da insistência dos repórteres da Folha e da Rádio Exclusiva de Curitiba, Belinati, sorrindo, nada falou. Não quis fazer qualquer comentário sobre a decisão da Justiça e não respondeu se pediria afastamento do cargo até o fim das investigações ou se continuaria trabalhando normalmente na Assembléia.
Sempre sorrindo, Belinati teve a companhia do deputado Duílio Genari (PPB) até em frente à sala da liderança do governo. Dali, acompanhado de uma assessora, Belinati continuou calado até entrar em seu carro e deixar a Assembléia. Durante a tarde o deputado acompanhou a sessão em plenário. Chegou às 15h05 e saiu aproximadamente 45 minutos depois.
O presidente da Assembléia, Nelson Justus (PTB) considerou o afastamento do prefeito Antônio Belinati (PFL) uma medida processual para possibilitar a continuidade das investigações conduzidas pelo Ministério Público. Quanto aos reflexos da decisão nas atividades do deputado Antônio Carlos Belinati, a presidência aguardará o recebimento do despacho judicial, afirmou.
Em comunicado oficial, o presidente do diretório regional do PFL, João Elísio Ferraz de Campos, endossou o posicionamento do diretório do partido em Londrina. Ordem judicial é para ser cumprida afirmou. Sobre o mérito da ação, Ferraz disse que o PFL vai aguardar uma decisão final da Justiça.
Para o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), indicado como candidato tucano a prefeito de Londrina, o afastamento de Antonio Belinati é uma questão de justiça. Temos que reconhecer a luta da sociedade, o trabalho dos promotores e agora a decisão da Justiça. Esperamos que a Câmara também faça a sua parte nesse processo, disse.
Hauly diz que, em meio à toda catastrofe que atingiu Londrina na atual administração, é importante iniciar a obra da reconstrução. Ele afirmou: É fundamental a sociedade organizada manter a mobilização para que Londrina volte a ser destaque nacional pelo seu potencial, como uma cidade de futuro, e não por ações vergonhosas como essas praticadas pelo ex-prefeito Antônio Belinati.
O pré-candidato do PT à Prefeitura de Londrina, Nedson Micheleti, também comemorou a decisão do juiz. Até que enfim, analisou o petista. Ele disse que a medida deveria ter sido tomada pela Câmara de Vereadores. Mas chegou a tempo hábil, avaliou. Segundo ele, a ação da Justiça é um reflexo do trabalho do Ministério Público e uma vitória do Movimento pela Moralização na Administração Pública.
Micheleti disse esperar que a cidade, que está cabisbaixa, possa voltar a melhorar seu astral. E esperamos que tudo isso que está acontecendo em Londrina sirva para que tenhamos uma campanha de debate de idéias sobre o que queremos para Londrina, que é uma cidade forte, com um futuro melhor, discursou. Ele disse esperar que o chamado escândalo AMA-Comurb não domine os debates durante a campanha eleitoral. Vamos discutir o que queremos para o futuro de Londrina e não o que se passou ontem.
Os outros dois pré-candidatos a prefeito já definidos Luiz Eduardo Cheida (PMDB) e Barbosa Neto (PDT) foram procurados ontem, mas não foram encontrados pela Folha para comentar o afastamento de Belinati e seus reflexos na campanha. A reportagem deixou recado na secretária eletrônica do telefone celular de Barbosa Neto, mas ele não retornou a ligação. Cheida estava com o telefone desligado. (Colaboraram Edinelson Alves e Patrícia Zanin)


