O deputado estadual Antonio Carlos Salles Belinati (PP) mantém no quadro de funcionários de seu gabinete o primo Edimilson Pinheiro Salles. O parente foi contratado após a exoneração da irmã do parlamentar, Cintya Salles Belinati, que era funcionária comissionada do bloco formado pelo PP, PV e PSL, e deixou o posto depois que o irmão tomou posse no último dia 24 de julho.
Apesar do parentesco, a nomeação escapa da principal regra antinepotismo, editada em 2008 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Pela súmula 13 do STF, a proibição se restringe a parentes de até terceiro grau (primo é quarto grau). Salles tem cargo nível G1, com salário líquido de R$ 11.045,83. Ele é filho de um irmão de Emília Salles Belinati, mãe do deputado.
O assessor parlamentar afirma que foi contratado por Belinati em agosto e que deixou seu ofício anterior, como preposto de uma empresa londrinense.
Inicialmente, ele tentou evitar comentar suas funções. Mas, após insistência da reportagem, disse que faz de tudo. "Eu dirijo, ajudo o deputado em Curitiba, na região, e faço contato com vereadores, com lideranças", contou.
Salles nega que o parentesco cause desconforto. "A lei permite."
A mulher dele, Suzelei de Fátima Guilherme Salles, também tem cargo comissionado em órgão público. Ela é chefe de gabinete do vereador Marcos Belinati (PP). "O Edimilson, meu marido, é sobrinho da Emília Salles, ex-mulher do Antonio (Casemiro) Belinati (ex-prefeito de Londrina, ex-deputado estadual e pai de Antonio Carlos). O Marcos é sobrinho do seu Antonio. Eu mal conhecia o Marcos", disse Suzelei. Antes, ela trabalhou com Marcelo Belinati (PP) e outros vereadores. "O Marcos me convidou agora, por eu já ter experiência", afirmou.
Procurado, Antonio Carlos Belinati não atendeu às ligações em seu celular e não retornou recado deixado em seu gabinete, em Curitiba. Marcos Belinati também não foi encontrado ontem à tarde, pelo celular.

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