Sete testemunhas e três acusados de envolvimento nas supostas fraudes nos termos de parceria firmados entre os institutos Atlântico e Gálatas para serviços de saúde do Município foram ouvidas ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público.
O depoimento mais longo do dia - cerca de 5 horas - foi o de Silvio Luz Rodrigues Alves e Gláucia Chiararia Rodrigues Alves, presidente e diretora do Instituto Gálatas. Os dois fazem parte do grupo de 15 pessoas que foram presas durante a operação Antissepsia, na última terça-feira. Após os depoimentos, ambos não falaram com a imprensa e foram levados ao Centro de Detenção e Ressocialiação (CDR) e para o Corpo de Bombeiros.
Pela manhã, a primeira a ser ouvida foi a secretária Municipal de Saúde, Ana Olympia Dornellas. Após quase duas horas de depoimento, demonstrando um certo nervosismo, a secretária não quis falar com a imprensa. Ana Olympia se limitou a dizer que não indicou e nem conhecia as duas organizações da sociedade civil de interesse público (Oscips) porque não era secretária na época.
Também prestaram depoimentos o diretor-financeiro da Secretaria de Saúde, João Carlos Perez, a funcionária Sandra Regina dos Santos Silva, o controlador Luis Nicácio, o empresário Job Terrin, diretor de uma revendedora de veículos na cidade, o gerente financeiro do Intituto Gálatas, João Roberto Quirino, e um mecânico que não quis se identificar.
Perez disse que assumiu o cargo no final de janeiro e observou irregularidades nas primeiras notas que chegaram das Oscips. Por isso, houve a retenção de parte dos pagamentos por falta de execução dos serviços contratados.
O controlador confirmou a abertura de uma auditoria interna para investigar o assunto, diante das irregularidades observadas pelo diretor financeiro da secretaria. Ele reafirmou que a Controladoria solicitou uma série de documentos às duas Oscips e que não foi atendida.
O empresário Job Terrin confirmou a venda de um carro da marca Fusion para um dos acusados, mas não entrou em detalhes com os jornalistas para preservar o ''cliente''.
Também compareceu a sede do Gaeco, Bruno Valverde - presidente do Instituto Atlântico - um dos detidos pela operação, liberado na última quarta-feira. O promotor Claudio Esteves, disse que Valverde teve que voltar ao Gaeco, para esclarecer novas informações que surgiram nos depoimentos dos diretores do Intituto Gálatas.
''O volume dos fatos de fatos pertinentes a investigação é muito grande, então, nem sempre uma única inquiriração consegue esgotar todos os fatos'', afirma o promotor.
Esteves esclareceu, que não foi concedido a nenhum dos detidos o benefício da ''delação premiada''. ''Apenas uma das quatro pessoas (que foram liberadas) fez declaração pretendendo isso (delação premiada). Mas, esse tipo de acordo não houve com qualquer pessoa. São apenas pessoas que cooperaram, e essa cooperação resultou na interpertação de que não há mais fundamento para a prisão temporária'', revelou.
A promotoria informou que não deve revelar o conteúdo dos depoimentos, sob a alegação de ''preservar a investigação'', que ainda não foi concluída. Segundo Esteves, ''há pessoas que estão sendo citadas, cuja averiguação precisa ser feita. Não é questão de poupar X ou Y. Mas, revelar qualquer tipo de informação, neste momento, é prejudicial pra investigação''.
Para hoje estão previstos os depoimentos de todos os outros detidos durante a operação. O prefeito Barbosa Neto (PDT), será ouvido na condição de testemunha no dia 16.

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