Se dizendo triste com o prefeito Barbosa Neto (PDT), o ex-procurador jurídico da Prefeitura de Londrina, Fidélis Canguçu, deixou ontem, por volta de 17h40, a sala do Quartel do Corpo de Bombeiros onde estava detido havia 58 dias, desde 10 de maio, quando foi deflagrada a operação Antissepsia pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), levando outras 20 pessoas à prisão. Todos são acusados de formação de quadrilha, corrupção e desvio de dinheiro público através de contratos entre o município e os institutos Gálatas e Atlântico. O contador dos dois institutos, Antonio Carlos Martins, também foi solto ontem por decisão da 2 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná. Continuam presos Flávio Martins, também contador, e o empresário e lobista Juan Carlos Monastério.
Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), que tramita na 3 Vara Criminal, Canguçu recebeu propina de aproximadamente R$ 115 mil das duas entidades para emitir pareceres favoráveis a pagamentos glosados. Conforme o MP, se o esquema tivesse prosperado, a propina poderia chegar a mais de R$ 700 mil somente para o ex-procurador. As quadrilhas formadas no Atlântico e Gálatas, segundo o MP, operavam por meio de emissão de notas frias, que justificavam o pagamento pelo município.
Canguçu, que diante do delegado do Gaeco, Alan Flore, negou todas as denúncias, fez o mesmo aos jornalistas, em rápida entrevista coletiva ao deixar o Quartel. ''Vou provar minha inocência.'' Ao ser questionado se recebeu propina, Canguçu respondeu: ''Nada''.
O ex-procurador também evitou comentar as críticas de Barbosa feitas logo após sua prisão, dizendo apenas que ficou triste. ''Eu fiquei triste. Minha família me deu força; minha mulher foi presa injustamente; recebi ação de despejo enquanto estava aqui. Agora quero recuperar minha vida'', disse. ''Todas as pessoas que geraram danos serão responsabilizadas'', afirmou ao ser perguntado sobre eventuais ações contra quem o acusou.
Fidélis e os outros 14 réus na ação penal que envolve o Instituto Gálatas serão interrogados em audiência na 3 Vara Criminal na próxima segunda-feira, às 12h30. Quanto ao Atlântico, quem analisa as denúncias é a Procuradoria-Geral de Justiça, já que envolvem Barbosa Neto e, por ser prefeito, tem foro privilegiado.

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