Um dos acusados, preso ontem durante a operação Antissepsia, confirmou o pagamento de propina e denunciou a prática de extorsão por parte de agentes da administração municipal. O acusado, que pediu para não ser identificado, concedeu entrevista logo após prestar depoimento na sede do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (GAECO).
''As empresas (Oscips) ficaram preocupadas, porque, se houvesse atraso no pagamento, nós não conseguiríamos honrar os compromissos e encargos financeiros. Então infelizmente, nós tivemos que fazer alguns repasses para que essas parcelas fossem liberadas'', revela a testemunha. O pedido de propina teria sido feito logo a após o pagamento parcial da quarta parcela do contrato. Segundo a administração, a medida teria sido adotada por falta de cumprimento de cláusulas contratuais.
Sobre a abordagem que o agente público teria feito ao acusado, ele informou que a conversa se deu da seguinte forma: ''Nós teríamos que fazer esse repasse (propina), para que o pagamento, das parcelas do contrato, fosse realizado. E se caso isso não ocorresse, não teria como ser feito o pagamento aos funcionários dos institutos. Então nós ficamos reféns de algumas pessoas e infelizmente tivemos que fazer esse tipo de concessões'', revelou.
O informante disse ainda que, apenas aceitou pagar a propina exigida pelo agente municipal, para preservar os funcionários e que não havia denunciado o suposto esquema antes por conta do contrato. ''O contrato é emergencial, as coisas vão andando rapidamente e não podem deixar de ser cumpridas as obrigações com os funcionários e com o progrma em si'', alega. O contrato firmado em janeiro se encerra no próximo dia 8.
O acusado chegou a declarar que não existe envolvimento do prefeito Barbosa Neto no esquema. ''Nunca o prefeito solicitou nada, nem pessoalmente nem via terceiros, foram outras pessoas ligadas à administração'', relatou o informante, que declarou ainda que em nenhum momento o dinheiro utilizado para o pagamento de propina foi retirado do serviço. ''Foi de outras fontes, o serviço não foi prejudicado em nenhum momento.''
Sobre a acusação do Ministério Público, de que os institutos se utilizavam de notas falsas para justificar o recebimento de verba pública, o acusado disse que isso não ocorreu. ''Em nenhum momento nós pedimos notas frias, não houve isso, as prestações de contas então todas adequadas. Inclusive foram feitos empréstimos pessoais para esse pagamento.''
De acordo com o informante, chegaram a ser pagos R$ 120 mil de propina para agentes da prefeitura.

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