Antes de agir, concessionárias aguardam detalhes da proposta
Curitiba - A Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) espera que o governo do Paraná explicite minuciosamente na mensagem o que é o interesse público e de quanto será a indenização às seis concessionárias que cobram pedágio. Um dos argumentos do Estado contra as concessionárias é de que, contra o interesse público, não há direito adquirido.
O presidente da associação, João Chiminazzo Neto, disse que estranhou a decisão de Requião de encampar as praças. ''Nos pegou de surpresa. As negociações estavam acontecendo.'' Chiminazzo voltou a defender a perfeição legal dos contratos. ''Se houvesse falha, o governo não teria escolhido a alternativa mais cara para a população.'' Os contratos foram avalizados pelas concessionárias, governo federal e governo do Paraná (gestão Jaime Lerner).
Chiminazzo disse que o governo federal terá que se manifestar sobre a decisão do Palácio Iguaçu. Dos 2,5 mil quilômetros sob a responsabilidade das concessionárias, 80% são de rodovias federais. Os 20% restantes são de trechos estaduais.
A ABCR estima em cerca de R$ 3 bilhões a indenização total que seria devida às seis empresas. ''Mas esse é um cálculo feito por alto. Não fizemos uma conta precisa porque não imaginávamos que a situação chegaria a esse ponto'', explicou. ''E a lei prevê indenização em dinheiro'', acrescentou.
Números obtidos pela Folha revelam que a receita acumulada das seis empresas está em torno de R$ 1,4 bilhões. Mas o saldo é negativo, em cerca de R$ 770 milhões, porque a previsão de retorno financeiro para as concessionárias é para o oitavo ou nono ano. O pedágio começou a ser cobrado em junho de 1998.
Chiminazzo pretende reunir os diretores das empresas e os advogados da entidade para analisar os próximos passos. ''Nossa preocupação é que toda a população vai pagar. Além disso, são cerca de cinco mil empregos (gerados pelas seis empresas) que estão em jogo'', frisou.(M.D.)





