O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), criticou ontem a decisão do PFL de antecipar a indicação do candidato do partido à sucessão presidencial. ‘‘Acho muito ruim que se vá debater candidaturas agora porque este governo começou a quatro meses; não dá para fazer isso; é absolutamente despropositado’’, disse Covas.
O PSDB realiza convenção nacional no dia 15. Covas afirmou que, no encontro tucano, defenderá o não-envolvimento antecipado do partido nessa questão. Segundo Covas, antecipar esse debate enfraquece a base governista. ‘‘Se você coloca o problema da sucessão agora, as coisas começam a se definir em função da sucessão e não do governo; isso enfraquece e contribui para a divisão da base governista’’, disse Covas.
O governador paulista criticou também a atuação do relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, senador João Alberto Souza (PMDB-MA). Em recente declaração, Souza afirmou que um dos objetivos da CPI era pegar um tucano de alta plumagem. ‘‘Tem certas coisas na CPI que eu não entendo; o relator disse que estava louco para pegar um tucano gordo; como é que um relator de uma comissão tem a coragem de falar uma coisa dessa?’’, questionou Covas. Para ele, esse fato manifesta uma ‘‘falta de isenção brutal’’. ‘‘Ele pode até pensar isso, não pode é falar’’, completou Covas.
Sobre a criação de um conselho político para atuar junto à executiva nacional do PSDB, Covas disse que a proposta é boa, desde que esse conselho não tenha autoridade sobre as responsabilidades da executiva. ‘‘Acho que um órgão adicional no partido é muito bom; não vejo nenhum inconveniente.’’
Covas admite que pode até mesmo aceitar participar desse conselho, embora ainda não haja nenhuma definição a esse respeito. ‘‘Muito provavelmente, alguém fará essa proposta na convenção e esse convite é uma coisa que não te obriga da mesma maneira que ser presidente’’, disse o governador paulista, referindo-se aos sucessivos apelos do PSDB para que ele assuma a presidência nacional do partido.

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