Agência Estado
De Brasília
Das três CPIs que funcionaram no Congresso neste ano, uma apresentou resultados decepcionantes, outra surpreendeu pelos fatos que trouxe à tona e a terceira acabou atingindo o próprio poder Legislativo. O presidente nacional e líder do PMDB no Senado, Jader Barbalho (PA), imaginava ter em mãos um enorme trunfo para pressionar a equipe econômica ao criar a CPI do Sistema Financeiro, com o apoio da oposição, que esperava conseguir a demissão do ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Nada disso aconteceu. O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), contava com a CPI do Judiciário para impulsionar as discussões sobre o controle externo deste poder, mas a principal consequência dos trabalhos da comissão poderá ser a cassação do mandato de um senador, Luiz Estevão (PMDB-DF).
Ficou comprovado que ele mantinha relações comerciais com o grupo Ikal, responsável pelas obras superfaturadas da construção do Fórum trabalhista de São Paulo. O senador não conseguiu convencer os integrantes da comissão que os pagamentos que recebeu eram lícitos e poderá ser o primeiro caso de cassação do mandato na história do Senado.
Já a desprezada CPI do Narcotráfico poderá impulsionar a carreira política de seus integrantes, todos do chamado ‘‘baixo clero’’ da Câmara, além de tornar viável o desbaratamento e a prisão de membros do narcotráfico.
A CPI descobriu conexões criminosas entre políticos e empresários do Acre, Maranhão, Alagoas, São Paulo, Rio, Minas Gerais, Piauí, Goiás, Bahia e Pará. Parlamentar de primeiro mandato, o presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), só foi escolhido para a função pelo absoluto desinteresse das grandes legendas em presidí-las, mas agora tornou-se um nome de expressão nacional.
O relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE), recuperou prestígio no seu Estado depois de ter se afastado do governador Tasso Jereissati (PSDB). Outros integrantes da comissão, como Lino Rossi (PSDB-MT), Laura Carneiro (PFL-RJ), Pompeu de Mattos (PDT-RS) e Ricardo Noronha (PMDB-DF) conseguiram sair do anonimato para dar concorridas entrevistas no principal saguão da Câmara.