Para o presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Fabio Testa (PPS), o professor Fabinho, 2016 será um ano "pesado" para o legislativo londrinense, especialmente pela influência do período eleitoral. Em outubro serão realizadas as eleições municipais e, na medida que as articulações vão deixando os bastidores, haverá ressonância na Casa, onde estão os principais representantes dos partidos locais.
No vale-tudo para ganhar a atenção do público, discursos – ou "discursinhos", como diz Fabinho – não faltam. "Muitas pessoas que nunca frequentaram uma sessão da Câmara repetem aquele senso comum sobre os vereadores, ninguém trabalha, nenhum presta, esse tipo de discursinho tende a aumentar este ano, porque a discussão política, infelizmente, ainda se dá em um plano muito rasteiro", critica ele, citando que a prática "oportunista" vem dos mesmos que querem ocupar o lugar dos que "não prestam".
A Câmara de Londrina tem 19 parlamentares e, segundo o presidente da Casa, está recuperando a credibilidade perante a cidade, depois de escândalos nos últimos dez anos, que levaram vereadores para a cadeia em pleno exercício de mandato. "A gente afastou aquelas cobranças que haviam em relação à corrupção e à transparência." Com a maioria dos vereadores no bloco da situação, o relacionamento com o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) vem sendo de calmaria nos últimos três anos.
Apesar da boa vizinhança com o Executivo, a disputa eleitoral deve favorecer discursos mais inflamados no plenário durante as votações de propostas com maior apelo popular, como a formalização de um novo contrato entre a prefeitura e a Sanepar – a definição deve ocorrer apenas no final do mandato –, e a capitalização da Caixa de Assistência, Aposentadorias e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml). "Faremos o nosso trabalho", promete Fabinho.

SALÁRIOS

A legislatura atual tem que definir qual será o vencimento do vereador para os próximos quatro anos. No entanto, pelas palavras do presidente da Câmara de Londrina, o gasto ficará o mesmo. O salário bruto de cada eleito está em R$ 13,5 mil, considerado suficiente para dedicação integral ao debate político. "Essa Câmara jamais proporia aumento de salário. Vereador tem um salário bom, pois é possível largar a vida profissional para se dedicar aqui", discursa Fabinho, acrescentando que o aumento do número de vereadores também está descartado no momento.
Por outro lado, o debate sobre a redução de salários, conforme já ocorreu por pressão popular em cidades da região, como Santo Antonio da Platina, não deve atingir a Casa londrinense. Para o presidente, definir salário mínimo para o vereador é "perigoso". De acordo com ele, se for mal remunerado, o político pode ser mais facilmente cooptado para a corrupção. "Pode haver uma possível perda de independência do Legislativo", afirma. "Se houver vereador e Executivo mal intencionados, o parlamentar pode ser comprado mais facilmente com cargos na Prefeitura."
Fabinho argumenta que a redução de custos operacionais é mais significativa do que o salário. Segundo ele, a Câmara de Londrina deve fechar o ano devolvendo à prefeitura cerca de R$ 200 mil ao mês, oriundos dos juros do fundo de reserva, que está sendo acumulado para reformar o prédio.

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