Ano de menos sessões e mais faltas na Assembleia Legislativa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Marcela Rocha Mendes<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - O ano de 2010 na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná teve menos sessões plenárias do que o ano anterior. No entanto, o número de faltas dos deputados estaduais ficou praticamente igual. Ao todo, 31 parlamentares estiveram ausentes 30 vezes ou mais durante o período de votação das matérias da Ordem do Dia. Vale lembrar que ao longo do ano passado os deputados ainda tiveram 20 dias de ''recesso branco'' durante o período eleitoral, época em que as sessões ficaram vazias - sendo algumas até suspensas por falta de quorum - com a justificativa de que era preciso fazer campanha e garantir a reeleição. (Confira tabela ao lado)
A frequência dos deputados é acompanhada diariamente pela Folha de Londrina em uma parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Em 2010 foram acompanhadas 135 sessões plenárias, 17 a menos do que em 2009.
O ''campeão'' em ausências foi, novamente, o petebista Fábio Camargo, com 90 faltas durante as votações dos projetos e 84 faltas na sessão, ou seja, dois terços do total. À reportagem, o deputado informou que deixou de comparecer ao plenário por dois motivos: problemas de saúde ou compromissos em que esteve representando a Casa de Leis. Camargo justifica que esteve hospitalizado por cinco vezes ao longo de 2010.
''Mesmo debilitado eu tenho consciência de que exerci meu mandato na plenitude. Além disso, eu participei de diversas comissões. Também nunca tive meu nome envolvido em uma denúncia ou sofri um processo administrativo'', argumenta.
Algumas vezes, explicou o parlamentar, estava dentro do prédio da Assembleia, mas optou por não descer até a sessão. ''O trabalho em plenário traz muito pouco retorno. Na grande maioria das votações já se sabe de antemão até quantos votos terá cada lado. Poucas vezes eu vi alguém trocar de voto pelo que foi falado na tribuna, já que sempre há acordos de bancadas ou de partidos''.
Segundo lugar em número de faltas (49 em sessões e 61 em votações), o pepista Ney Leprevost explica que 99% de suas ausências tiveram a justificativa aceita pela Mesa Diretora da AL. De acordo com o parlamentar, a grande maioria das vezes esteve participando de compromissos na condição de presidente da Comissão da Saúde da Casa. ''Eu priorizei neste meu último mandato a questão da saúde. Como no próximo (mandato) não serei mais presidente da comissão, prometo que serão poucas faltas''.
Os compromissos seriam desde eventos ou reuniões emergenciais na capital até viagens ao interior para verificar in loco problemas de saúde pública. ''Foram faltas que valeram a pena. Para mim, isso é mais importante do que estar no plenário discursando''. Leprevost aproveita para fazer uma crítica a alguns colegas que usariam as sessões como ''palanque para aparecer na TV Sinal''. ''Tem dias em que aquilo é meramente um palco''.


