Anne Moraes fica em silêncio em depoimento na Comissão Processante
Fase de instrução foi finalizada e defesa da vereadora deverá apresentar alegações finais; sessão de julgamento deve ocorrer em julho
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Fase de instrução foi finalizada e defesa da vereadora deverá apresentar alegações finais; sessão de julgamento deve ocorrer em julho

A vereadora Anne Moraes (Avante) permaneceu em silêncio durante seu depoimento, na manhã desta segunda-feira (25), na CP (Comissão Processante) da CML (Câmara Municipal de Londrina) que apura uma suposta quebra de decoro parlamentar. Anne é acusada de usar assessores de gabinete como advogados em processos particulares, sem relação com seu trabalho no Legislativo.
O depoimento da parlamentar foi a última etapa da fase de instrução do processo. Agora, a defesa deverá apresentar suas alegações finais e o relator, vereador Régis Choucino (PP), vai preparar o relatório, que pode recomendar a cassação ou a absolvição da vereadora.
Em entrevista coletiva, a presidente da CP, vereadora Michele Thomazinho (PL), disse que Anne não respondeu às perguntas da comissão por orientação de seu advogado. A defesa havia apresentado dois requerimentos: a lista de todos os assessores da CML, com as respectivas formações acadêmicas, que foi entregue com as informações disponíveis no setor de RH (Recursos Humanos); e o acesso às imagens das câmeras de segurança desde o início da atual legislatura, o que não foi possível.
“Não existem todas essas imagens que eles solicitaram. Seriam mais de 14 mil horas de vídeo, então isso é tecnicamente impossível. E, em relação ao período em que os respectivos assessores estavam alocados no gabinete da vereadora, que foi o primeiro semestre de 2025, essas imagens não existem”, explicou Thomazinho.
A impossibilidade foi apontada em um parecer jurídico da Câmara, que recomendou o indeferimento da solicitação feita pela defesa. “A partir disso, o advogado orientou a vereadora a permanecer em silêncio. As perguntas foram realizadas durante a oitiva para ficar registrado, mas ela não respondeu nenhuma questão.”
Segundo Thomazinho, a CP não impediu a ampla defesa de Anne e não se negou a buscar as imagens. “Entretanto, tecnicamente isso é inviável, é impossível de ser apresentado.”
Procurada, a defesa da vereadora Anne Moraes não respondeu.
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DENÚNCIA
Segundo a denúncia investigada na CML, a vereadora nomeou um advogado em janeiro de 2025 para trabalhar em seu gabinete, com salário superior a R$ 9 mil e carga horária de 30 horas semanais. A acusação é de que, durante o horário de expediente e nas dependências do Legislativo, o servidor teria atuado como advogado particular de Anne, inclusive participando de uma audiência a partir da CML. A denúncia sustenta ainda que, após a exoneração desse servidor, outros advogados passaram pelo gabinete e teriam assumido ações judiciais envolvendo a parlamentar.
A defesa sustenta que as relações profissionais mantidas com os assessores eram “genuinamente contratuais, inclusive anteriores ao exercício da função pública, afastando a tese de que cargos comissionados teriam sido utilizados como forma de pagamento de serviços particulares”.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.





