Nações UnidasO secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, reiterou ontem a necessidade do envio de uma missão internacional aos territórios árabes ocupados por Israel e advertiu que o conflito pode propagar-se pela região. Annan, em mensagem à reunião internacional da ONU em apoio à paz no Oriente Médio, que acontece em Nicósia, Chipre, disse que a missão poderia estar formada por observadores internacionais encarregados de vigiar uma possível trégua.
Segundo Annan, ‘‘qualquer que seja a forma desse mecanismo, é essencial para restabelecer o processo de confiança mútua e progredir tanto na frente política como na de segurança’’.
O dirigente da ONU traçou um escuro panorama da situação atual e destacou que nas duas semanas passadas ‘‘dezenas de israelenses morreram por bombas de suicidas e centenas de palestinos pelas operações militares israelenses’’.
Annan assinalou que esses eventos, junto com o aumento dos ataques contra Israel no Líbano, ressaltam ‘‘a gravidade e os perigos potenciais da atual escalada (de violência), não só entre israelenses e palestinos, mas para a região e mais além’’.
A mensagem, no entanto, indica que há ‘‘luz no fim do túnel’’, referindo-se aos esforços internacionais, entre os quais destacou os da ONU e da Liga Árabe, dedicados a aplacar a crise mediante soluções políticas.
O que se precisa urgentemente, disse Annan, é injetar ‘‘vontade política’’ para concretizar a ação.
Além disso, em último caso, os progressos dependem dos povos e dos líderes da região, comentou.
Por isso, pediu que tanto o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, como o presidente palestino, Yasser Arafat, exerçam ‘‘liderança com forte sentido de responsabilidade e autoridade moral’’.
Annan assinalou na mensagem os graves prejuízos sofridos pela economia palestina, já que Israel destruiu sua infra-estrutura, paga em grande parte pela União Européia.
O secretário-geral da ONU não pediu que Israel financie novas construções.

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