ANJ premia jornalistas por série sobre alto salário de juízes
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quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Leonencio Nossa<br>Agência Estado 
Brasília - A Associação Nacional de Jornais (ANJ) entregou nessa quarta-feira (28) a uma equipe do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa de 2016. Em solenidade em um hotel de Brasília, os jornalistas paranaenses foram distinguidos por uma série de reportagens sobre salários acima do teto no Judiciário e Ministério Público. A série de notícias motivou 48 ações judiciais de juízes e promotores contra os profissionais, causando repúdio na opinião pública e na imprensa. O repórter Euclides Garcia, um dos premiados, relatou que a equipe chegou a andar 10 mil quilômetros, às vezes percorrendo trechos diários de 800 quilômetros, para comparecer às audiências marcadas em diversas localidades do interior paranaense, decorrentes das ações abertas pelos juízes e promotores. Numa primeira análise do caso, a ministra Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal (STF) negou pedido para suspender o conjunto de ações. Depois, ao avaliar recurso apresentado pela Gazeta do Povo, a ministra mudou de posição. No recurso, o jornal apresentou um áudio em que o juiz Walter Ligeiri Junior, de Paranaguá, afirmou que os jornalistas teriam que viajar muito para responder processos e 700 magistrados preparavam ações contra o jornal e seus profissionais. Euclides disse que a expectativa agora é que o Supremo suspenda definitivamente as ações. "A Gazeta (do Povo) deu todo o suporte para a gente", afirmou o repórter. "Se o problema tivesse ocorrido com um pequeno blog, um blog ou um pequeno veículo que faz jornalismo dificilmente os profissionais teriam condições de fazer essas viagens".


