A Associação Brasileira dos Anistiados Políticos (Abap) está acionando os deputados federais e senadores para pressionar o presidente Fernando Henrique Cardoso a cumprir a lei que beneficia os anistiados. O delegado da Abap no Paraná, Ildeu Manso Vieira, explica que a entidade quer ainda transformar o benefício de 488 anistiados em aposentadoria excepcional. ‘‘Tudo que está garantido na lei não é cumprido, e queremos conscientizar o governo dessa situação’’, afirma.
Segundo Vieira hoje a maioria dos anistiados recebe em média um salário mínimo. A intenção da Abap é fazer com que cada beneficiado pela lei tenha direito a um salário médio do tempo da ativa. Ele revela que antes de ser preso, trabalhava na Furnas Centrais Elétricas, e ganhava em média 55 salários mínimos da época. Hoje Vieira recebe menos de dois salários mínimos ao mês pela aposentadoria. ‘‘Contribuí por 50 anos com uma base bem acima da média que estou recebendo, e só consigo sobreviver porque tenho outras atividades’’, explica.
A maioria dos anistiados no entanto, revela Vieira, não possuem condições físicas ou psicológicas para trabalhar. ‘‘Boa parte hoje vive em situação de miséria’’, revela. O que mais revolta, diz ele, é que o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso e alguns de seus ministros, são anistiados. ‘‘Mas isso de nada adianta’’. A Abap espera que através de campanhas envolvendo governadores, deputados e senadores, o governo federal se sensibilize e volte a pagar os benefícios aos mais de mil anistiados políticos do país.

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