Artistas, advogados, médicos e pessoas ligadas à defesa dos direitos humanos vão realizar hoje em São Paulo o primeiro ato público de protesto contra a nomeação do general Ricardo Fayad para o cargo de subdiretor de Saúde do Exército. A organização do ato é do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do Estado de São Paulo.
Hoje, também, o escritório da Anistia Internacional em Londres vai divulgar uma nota condenando a nomeação do general pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Fayad teve seu registro de médico cassado pelo Conselho Federal de Medicina pela acusação de ter auxiliado torturadores no Rio de Janeiro durante o regime militar. ‘‘Vamos protestar porque os sobrevivente desse torturador colocaram um dossiê sobre ele nas mãos do presidente da República e ele não voltou atrás em sua decisão’’, disse a dramaturga Consuelo de Castro, uma das organizadoras do protesto.
Em carta que será enviada ao presidente da República, os organizadores do ato afirmam que a nomeação de Fayad é semelhante a uma hipotética indicação do engenheiro responsável pelo edifício Palace 2, que desabou no Rio, para o cargo de secretário de obras. A carta diz ainda que a decisão ‘‘suscita inquietação para com o futuro da democracia, sugerindo uma preponderância do Exército sobre o governo civil’’.
Além do sindicato dos artistas, participam do ato a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, o Grupo Tortura Nunca Mais e o Conselho Federal de Medicina, além da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, sindicatos e associações.
O presidente Fernando Henrique Cardoso reiterou ontem, por meio do porta-voz-adjunto da Presidência, Georges LamaziSre, que vai manter Fayad no cargo. Segundo LamaziSre, FHC lembrou que Fayad foi promovido a general no governo Itamar Franco (92-94) e não no governo dele. ‘‘Na ocasião não houve manifestações’’, disse o porta-voz.

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