Brasília - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, criticou ontem o que chamou de ''pressão'' do ministro Nelson Jobim (Defesa) e de comandantes militares contra a criação da Comissão da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos. As informações são da Agência Brasil.
''O Brasil não pode se acovardar e querer esconder a verdade. Anistia não é amnésia. É preciso conhecer a história para corrigir erros e ressaltar acertos. O povo que não conhece seu passado, a sua história, certamente pode voltar a viver tempos tenebrosos e de triste memória como tempos idos e não muito distantes'', declarou Britto.
A criação de uma comissão especial para investigar torturas e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura militar (1964-1985) causou divergência entre os ministros Jobim e Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Para Jobim e os militares, a comissão especial teria o objetivo de revogar a Lei de Anistia de 1979.
''Um país que se acovarda diante de sua própria história não pode ser levado a sério.'', disse Britto.
A OAB defende ações no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal Militar para abertura dos arquivos da ditadura e punição aos torturadores. Já o ministro da Defesa disse que a busca pela verdade não pode significar ''revanchismo''. Ontem, o Ministério da Defesa e a Secretaria de Direitos Humanos informaram que os ministros não pretendem falar sobre o assunto nem divulgariam notas a respeito.

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