Quando os paulistanos votaram em massa no rinoceronte Cacareco, em outubro de 1958, a eleição era realizada com cédulas de papel e os eleitores escreviam o nome do candidato preferido. Como protesto, era possível anular o voto votando em candidatos não oficiais. Hoje, com o voto eletrônico, o eleitor digita o número do candidato, o que impossibilita esse tipo de protesto. Cacareco teve mais votos que o partido mais votado na época, que totalizou 95 mil sufrágios.
  Após o resultado das eleições, Stanislaw Ponte Preta comentou no jornal ‘‘Última Hora’’: ‘‘Diversos membros da cúpula do PSP andam rondando a jaula de Cacareco para o colocarem no lugar de Adhemar de Barros.’’ Adhemar era o governador de São Paulo.
A idéia de lançar o animal como candidato teria sido do jornalista Itaboraí Martins, em protesto contra o baixo nível dos 450 concorrentes à Câmara Municipal. Os votos, claro, foram considerados nulos, mas o caso entrou para o folclore político.
  O Macaco Tião, do zoológico carioca, também se tornou celebridade depois de ter obtido mais de 400 mil votos nas eleições de 1988 para a Prefeitura do Rio. Tião, que recebeu o nome em homenagem ao padroeiro da cidade, São Sebastião, era bastante querido pelas crianças e frequentadores do zôo e foi lançado a prefeito pelos humoristas do Casseta e Planeta.
  Tião recebeu 9,5% dos votos e ficou em terceiro lugar na eleição, à frente de vários candidatos humanos. Os votos foram considerados nulos, mas o macaco passou a receber toda a atenção e ganhou uma cela especial no zôo. (J. M. T.)

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