Anibal tira tucanos de cima do muro
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de agosto de 2001
Eugênia Lopes<BR>Agência Estado<BR>De Brasília 
Pouco mais de dois meses depois de ter assumido a presidência do PSDB, o deputado José Anibal (SP) já imprimiu uma nova marca ao partido, que deixa longe os tempos em que os tucanos eram acusados de ficar sempre em cima do muro. Muito mais próximo do estilo bateu, levou, encarnado pelo ex-ministro Sérgio Mota, Anibal dá o tom do discurso do PSDB na corrida presidencial de 2002 e ataca os pré-candidatos da oposição. Diz que o governador do Rio de Janeiro, Antony Garotinho (PSB), é uma farsa, e define o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), como um sujeito mercurial, um vagalume.
Constamos hoje que esses pré-candidatos à presidência da República têm uma ambição desmedida de poder e não conseguem dissimular isso, afirma Anibal. Mas quando analisamos seus projetos, vemos que eles não têm o que propor, ataca. E segue criticando os programas dos postulantes ao cargo de Fernando Henrique Cardoso. É indigente o esboço de programa do Ciro Gomes (candidato do PPS à presidência da República), atesta. Na área de educação, ele é exclusivamente um programa de retreinamento de professores, enquanto o atual governo está fazendo o maior programa de assistência aos professores com o Fundef, com o Bolsa Escola etc.
José Anibal defende que o PSDB escolha o candidato à sucessão de Fernando Henrique em dezembro ou, no máximo, em janeiro do ano que vem. Afirma que o parceiro natural dos tucanos, nas eleições de 2002, é o PFL. Um grande parceiro nosso tem sido o PFL, uma vez que o PMDB tem suas divergências internas e é um partido que, hoje, quer ter candidato próprio à presidência da República, pondera.
O tucano prefere, no entanto, não falar em nomes do PSDB para as eleições do ano que vem. Mas não descarta a indicação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, como candidato do partido à presidência da República, caso ele resolva se filiar ao partido. Isso tudo é uma especulação, mas nada impede o Malan de ser um candidato até porque ele é o ministro da Fazenda há sete anos e tem toda a sintonia com o presidente Fernando Henrique, que será o grande eleitor na sua sucessão argumenta o novo presidente do PSDB.
Aos 53 anos, em seu terceiro mandato de deputado federal, José Anibal já liderou a bancada do PSDB na Câmara, entre 1995 e 1997, e deixou recentemente a secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo para comandar o partido. E desde que assumiu a presidência do PSDB, não deixou dúvidas sobre o novo estilo de administrar o partido: ameaçou com expulsão os irmãos Dias os senadores Osmar e Alvaro, ambos do Paraná que deram apoio à abertura da CPI da corrupção, e articulou a saída do governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira, envolvido em denúncias de corrupção, do PSDB.
O PSDB sempre teve rumo, mas era um rumo meio flácido, meio frouxo, reconhece Anibal, que assumiu o comando do partido mostrando que não haverá mais hesitação diante de crises. O PSDB estava perdendo verniz, terreno e espaço e era um partido que passava sinais trocados, diz. Mas, agora, o PSDB mudou e vai mudar cada vez mais, promete o tucano.


