Curitiba - Um dos políticos mais influentes do Paraná, o ex-presidente da Assembléia Legislativa Aníbal Khury (PFL) foi preso durante o regime militar, teve seu mandato cassado e parte de seus bens confiscada. Aníbal foi investigado por supostos atos subversivos e ligações com elementos subversivos.
Algumas posições de Aníbal tomadas antes mesmo do golpe chamaram a atenção dos militares. Em outubro de 1961, em um discurso na Assembléia Legislativa, Aníbal manifestou-se favorável à legalização do PCB, dos comunistas. Aníbal também condenou a cassação de deputados.
Aníbal foi preso no dia 11 março de 1969, e submetido a um interrogatório de 11 horas de duração. A notícia de sua prisão só foi divulgada quatro dias depois (15 de março), pois a imprensa era vigiada. Foi liberado somente no mês seguinte, abril.
O presidente Costa e Silva assinou a cassação do mandato de Aníbal e a suspensão dos direitos políticos dele por dez anos no dia 13 de março de 1969. Os inquéritos instaurados contra Aníbal o acusavam de corrupção, mas ele acabou absolvido alguns anos depois. Os militares concluíram que Aníbal não estava ligado a grupos subversivos.
Nascido em 1924, Aníbal então presidente da Assembléia morreu em Curitiba na manhã do dia 30 de agosto de 1999, de falência múltipla dos órgãos. O corpo foi velado no Palácio Iguaçu. Sobre o caixão, foi colocada uma bandeira do Atlético Paranaense, clube que Aníbal presidiu na década de 70. O enterro foi no Cemitério Parque Iguaçu.
O Aníbal de 1999 era outro daquele combativo durante a ditadura. Com o passar dos anos, passou a alinhar-se cada vez mais com os governos. Quando morreu, era considerado um político de direita. (M.D.)

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