Declarações do prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL), à Folha, na última sexta-feira, defendendo que o segundo mandato do governador Jaime Lerner (PFL) seja técnico e não político, causaram mal-estar entre os partidos que dão sustentação ao governo Lerner no Poder Legislativo. O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), criticou a postura do prefeito e defendeu uma superposição da vontade dos partidos que garantiram a reeleição do governador.
‘‘Tudo o que tem cheiro de técnico é politicamente errado, inclusive o governo dele (de Taniguchi)’’, reagiu Aníbal. Segundo o deputado, ‘‘técnico serve para fazer aquilo que o político quer’’. ‘‘O primeiro mandato de Lerner já foi técnico. O governador seguiu essa regra quando decidiu implantar o pedágio nas rodovias e quase foi pelos canos durante as eleições’’, disse, numa referência à vitória apertada sobre o candidato das oposições, senador Roberto Requião (PMDB).
A anistia das multas do novo Código de Trânsito, projeto de sua autoria que foi acatado parcialmente pelo governador, foi outro ‘‘erro técnico’’ apontado por Aníbal. ‘‘Se ele tivesse anistiado a cobrança das multas, teríamos conseguido pelo menos mais 30 mil votos’’, calculou. Ele disse que os partidos aguardam com ansiedade o retorno do governador para iniciar as discussões sobre o secretariado. E acrescentou que o ajuste fiscal ‘‘não é motivo para tecnicidade’’.
‘‘O político tem mais jogo de cintura. O técnico ou tem dificuldades ou tem facilidades nas coisas. Às vezes, em algumas situações, o que precisa mesmo é de uma conversa’’, disse. Para Aníbal, os partidos políticos estão compreendendo bem a situação delicada das finanças públicas. ‘‘O governador pode agir como deve, mantendo as condições políticas que lhe assegurem uma base política forte’’, avaliou. De olho no jogo de forças que se esboça para 2002, o deputado deu a entender que uma postura técnica enfraquece a base e compromete a permanência do grupo no poder.
Mudanças O líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PTB), defende o reconhecimento dos partidos que deram apoio a Lerner nesta eleição, assim como os deputados do PPB. Rossoni disse ontem que o PTB tem direito a indicar o mesmo número de secretários que o PFL. Para o deputado, o crescimento das bancadas estadual e federal deve ser recompensado com a indicação de nomes.
O prefeito Antonio Belinati (sem partido), de Londrina, defendeu ontem que todo secretariado peça demissão do cargo. ‘‘Não teria sentido colocar os cargos à disposição porque comissionado está sempre à disposição’’, argumentou. Ele disse que a medida seria uma forma de manifestar ‘‘carinho’’ pelo governador, que ficaria à vontade para fazer ‘‘eventuais mudanças’’.
‘‘Facilitaria a mexida’’, argumentou. Ao contrário de Taniguchi, Belinati prega um misto de representantes técnicos e políticos no governo. ‘‘Não teria como manter uma base de sustentação política só com a presença de técnicos, mas o técnico também tem de ter uma visão política’’, opinou.
O prefeito defende que o governo dê representatividade a todas as regiões do Estado no secretariado. ‘‘Mas é preciso que o secretário seja digno, competente e tenha respaldo de sua região’’. Ele disse que no atual governo, alguns secretários ‘‘não acrescentaram nada’’ e foram verdadeiros ‘‘desastres eleitorais’’. Belinati não quis citar nomes. ‘‘O governador é muito inteligente’’, alegou. (Colaborou Patrícia Zanin)

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