Aníbal critica sugestão de Taniguchi
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segunda-feira, 19 de outubro de 1998
Leandro Donatti 
Declarações do prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL), à Folha, na última sexta-feira, defendendo que o segundo mandato do governador Jaime Lerner (PFL) seja técnico e não político, causaram mal-estar entre os partidos que dão sustentação ao governo Lerner no Poder Legislativo. O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), criticou a postura do prefeito e defendeu uma superposição da vontade dos partidos que garantiram a reeleição do governador.
Tudo o que tem cheiro de técnico é politicamente errado, inclusive o governo dele (de Taniguchi), reagiu Aníbal. Segundo o deputado, técnico serve para fazer aquilo que o político quer. O primeiro mandato de Lerner já foi técnico. O governador seguiu essa regra quando decidiu implantar o pedágio nas rodovias e quase foi pelos canos durante as eleições, disse, numa referência à vitória apertada sobre o candidato das oposições, senador Roberto Requião (PMDB).
A anistia das multas do novo Código de Trânsito, projeto de sua autoria que foi acatado parcialmente pelo governador, foi outro erro técnico apontado por Aníbal. Se ele tivesse anistiado a cobrança das multas, teríamos conseguido pelo menos mais 30 mil votos, calculou. Ele disse que os partidos aguardam com ansiedade o retorno do governador para iniciar as discussões sobre o secretariado. E acrescentou que o ajuste fiscal não é motivo para tecnicidade.
O político tem mais jogo de cintura. O técnico ou tem dificuldades ou tem facilidades nas coisas. Às vezes, em algumas situações, o que precisa mesmo é de uma conversa, disse. Para Aníbal, os partidos políticos estão compreendendo bem a situação delicada das finanças públicas. O governador pode agir como deve, mantendo as condições políticas que lhe assegurem uma base política forte, avaliou. De olho no jogo de forças que se esboça para 2002, o deputado deu a entender que uma postura técnica enfraquece a base e compromete a permanência do grupo no poder.
Mudanças O líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PTB), defende o reconhecimento dos partidos que deram apoio a Lerner nesta eleição, assim como os deputados do PPB. Rossoni disse ontem que o PTB tem direito a indicar o mesmo número de secretários que o PFL. Para o deputado, o crescimento das bancadas estadual e federal deve ser recompensado com a indicação de nomes.
O prefeito Antonio Belinati (sem partido), de Londrina, defendeu ontem que todo secretariado peça demissão do cargo. Não teria sentido colocar os cargos à disposição porque comissionado está sempre à disposição, argumentou. Ele disse que a medida seria uma forma de manifestar carinho pelo governador, que ficaria à vontade para fazer eventuais mudanças.
Facilitaria a mexida, argumentou. Ao contrário de Taniguchi, Belinati prega um misto de representantes técnicos e políticos no governo. Não teria como manter uma base de sustentação política só com a presença de técnicos, mas o técnico também tem de ter uma visão política, opinou.
O prefeito defende que o governo dê representatividade a todas as regiões do Estado no secretariado. Mas é preciso que o secretário seja digno, competente e tenha respaldo de sua região. Ele disse que no atual governo, alguns secretários não acrescentaram nada e foram verdadeiros desastres eleitorais. Belinati não quis citar nomes. O governador é muito inteligente, alegou. (Colaborou Patrícia Zanin)


