Curitiba - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a Companhia Paranaense de Energia (Copel) a adquirir a participação da Triunfo nas Centrais Elétricas do Rio Jordão (Elejor), em construção na região central do Estado. A Elejor foi constituída em 2002, com 40% de participação da Copel, 30% da Triunfo Participações e 30% da Paineiras.
No dia 29 de dezembro do ano passado, a Copel publicou um fato relevante, no qual explica que, conforme os rumos traçados no planejamento estratégico da companhia, a direção da companhia decidiu aumentar sua participação na Elejor. A meta era comprar os 30% da Triunfo, somando 70% de participação. Esta semana, a pedido da Triunfo, a Aneel autorizou a transferência dos 30% de participação. A resolução deve ser publicada nos próximos dias.
Apesar do sinal verde por parte da Aneel, a estratégia da Copel de estabelecer esse compromisso de compra teve, já no início do ano, repercussão negativa no Poder Legislativo Assembléia Legislativa e Tribunal de Contas (TC) do Estado, órgão auxiliar da Assembléia. No TC, a situação é delicada. Um pedido de impugnação da compra, elaborado pela inspetoria do conselheiro Artagão de Mattos Leão, aguarda que a presidência do TC designe um relator. Na sequência, o pedido deve ser votado no plenário, o que não tem data para ocorrer.
No entanto, a concretização da compra ficou condicionada a três aprovações prévias. Uma por parte da Assembléia, outra do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e a da Aneel, a única deu o aval para a compra, por enquanto. Na Assembléia, o projeto que libera a compra ainda aguarda votação. No Cade, conselho que faz parte da estrutura do Ministério da Justiça, o caso está na Secretaria do Desenvolvimento Econômico, e também não tem data para ser analisado.
Em maio, o diretor de Gestão Corporativa da Copel, Gilberto Griebeler, esteve na Assembléia por solicitação da bancada de oposição para dar explicações aos deputados sobre o compromisso de compra de ações da Triunfo, parceira nas centrais elétricas. Essa compra, que teria inclusive rendido um sinal pago por parte da Copel, foi questionada pela bancada de oposição. Na avaliação do deputado Fernando Ribas Carli (PP), que é da região de Guarapuava, próxima à usina, a Copel está fazendo um mau negócio.
Fazem parte da Elejor duas usinas no Rio Jordão: Santa Clara e Fundão. Durante a visita de Griebeler à Assembléia, Ribas Carli alegou que a Triunfo ganhou 100% do que investiu na obra. Segundo ele, no final de 2003, a Triunfo tinha gasto com a Elejor R$ 21 milhões. Mas com a venda dos 30% de participação para a Copel, ganha 100% do que investiu. Ainda segundo ele, a Triunfo já havia vendido em 2003 cerca de R$ 60 milhões em debêntures para a Fundação Copel, o fundo de previdência dos funcionários da estatal.

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