O líder do PMDB, deputado Michel Temer (SP), será o candidato do partido à sucessão de Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) na presidência da Câmara. O anúncio foi feito ontem pelo presidente do PMDB, Paes de Andrade (CE), ao retirar formalmente sua candidatura em favor do colega. A bancada se reúne amanhã num almoço ‘‘comemorativo’’ para convalidar a candidatura de Temer. Com a definição do PMDB, a disputa pela sucessão na Câmara ganha novos contornos e reduz as possibilidades do líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), sair candidato.
A definição do nome do candidato do PMDB, que sairia da reunião da bancada na quarta-feira, foi antecipada em encontro entre Paes de Andrade e Michel Temer neste final de semana em Fortaleza. ‘‘Pensei que teria o apoio declarado à minha candidatura de todos os que estavam engajados contra a emenda da reeleição’’, justificou Paes, que teve seu projeto derrubado pela movimentação do PPB para lançar um candidato próprio. Segundo alguns peemedebistas, a presença do ministro Luiz Carlos Santos (PMDB-SP) no almoço de quarta-feira, que sinaliza a união do partido em torno do nome de Temer, é garantida.
O líder Michel Temer anunciou que vai procurar todos os partidos da Câmara para tentar formar uma chapa de consenso com o PMDB na presidência e o PFL com o segundo cargo mais importante na Mesa. O trunfo do PMDB é fazer valer o acordo firmado no início do ano com Luís Eduardo Magalhães e o então presidente do PFL Jorge Bornhausen, que garantia ao PMDB a vaga do sucessor de Luís Eduardo. No meio do caminho está o líder Inocêncio Oliveira, que contava com a desunião do PMDB para consolidar sua própria candidatura.
Inocêncio insiste que, se o PMDB partir mesmo para disputar a sucessão de José Sarney (PMDB-AP) no Senado com o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), ele não desistirá de sua candidatura na Câmara. O PMDB tenta desvincular as duas sucessões. ‘‘O Senado terá seu modo de resolver as coisas e nós teremos o nosso’’, resumiu Temer. ‘‘Agora o partido está unido, o Temer é nosso candidato e o acordo deve prevalecer’’, emendou Andrade. Hoje, ele vai procurar o presidente do PFL, deputado José Jorge (PE), para tentar um ajuste de contas.
Em troca de sua renúncia, Paes de Andrade tentou arrancar de Temer o compromisso de que o líder não trabalharia contra a convenção que está sendo preparada para o início de janeiro, quando o PMDB tiraria uma posição a favor ou contra a emenda da reeleição. Trabalhando no lado oposto de Paes, que é contra a reeleição, Temer deu a garantia de que, ‘‘se houver convenção’’, ele vai comparecer e acatar a decisão majoritária. ‘‘Ainda não decidimos qual é o melhor caminho, se uma convenção ou a reunião do Conselho Político’’, afirmou Temer, ‘‘E vai ter convenção?’’, insinuou um peemedebista que joga no time do governo.
A estratégia dos governistas é evitar uma convenção do PMDB que poderia criar uma clima contrário ao projeto de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. No Conselho Político do partido, estima-se que a soma de votos é majoritariamente favorável à reeleição.
Com a definição do PMDB na campanha pela presidência da Câmara, o governo começou a semana com ligeira vantagem. Mas hoje já começa a enfrentar novos rounds na batalha para aprovar a emenda da reeleição (leia ao lado).

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