Belo Horizonte - O senador eleito Antonio Anastasia (PSDB-MG) divulgou ontem na qual afirma estar "tomando de forte indignação" por seu nome ter surgido nas investigações da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Apontado pelo policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho como destinatário de R$ 1 milhão enviado pelo doleiro Alberto Youssef na eleição de 2010, o ex-governador de Minas classificou a acusação de "falsa e absurda" e disse estar disposto a participar até de acareação com o agente, um dos alvos da operação ao lado do doleiro.
"Uma acusação falsa e absurda como esta me leva a completa indignação e mesmo revolta. Não sei o motivo de tal inverdade no âmbito desta operação", afirmou o tucano por meio de nota. Para Anastasia, "misturar falsidades com fatos verdadeiros" pode ser "uma estratégia dos culpados" no esquema de corrupção na Petrobras, que envolve os nomes de vários outros políticos, principalmente do PT, PMDB e PP, e levou à prisão de altos executivos de algumas das maiores empreiteiras do País.
No depoimento, Oliveira Filho disse ter entregado o dinheiro a mando de Youssef a um homem que encontrou em uma casa em Belo Horizonte. O agente, que era uma espécie de funcionário do doleiro, afirmou ter identificado o tucano após o resultado do pleito de 2010 e confirmou a identificação por meio de foto, segundo o jornal "Folha de S.Paulo". Naquela eleição Anastasia foi reeleito governador de Minas, cargo que havia assumido meses antes após o correligionário Aécio Neves renunciar ao Executivo para disputar a cadeira que ocupa hoje no Senado.
Nas mesmas declarações o policial federal acusou de ter recebido dinheiro de Youssef o candidato à Presidência da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que também negou a acusação. "Não conheço este cidadão (Jayme), nunca estive ou falei com ele. Da mesma forma não conheço, nunca estive ou falei com o doleiro Alberto Youssef. Em 2010 não tinha qualquer relação com a Petrobras", salientou Anastasia.
O tucano observou ainda que receber recursos do esquema de corrupção na Petrobras causaria "estranheza", já que era "governador de oposição ao governo federal". "Também é muito estranho o alegado encontro de um governador de Estado em uma casa que não é sua, com um desconhecido, para receber dinheiro", argumentou. E declarou ainda que seu único patrimônio "é o moral, não tendo amealhado bens no exercício dos diversos cargos públicos".
Na relação de bens entregue à Justiça Eleitoral, Anastasia declarou patrimônio de R$ 562 mil, sendo R$ 200 mil de um imóvel residencial e o restante de aplicações financeiras. Na nota o ex-governador afirmou ter constituído advogado para "solicitar o completo esclarecimento do episódio, por todos os meios possíveis, inclusive acareação com o acusador, verificação de qual seria a tal casa, a data deste alegado encontro, o meio de locomoção utilizado e todos os demais elementos para demonstrar, de forma cabal, a inverdade do depoimento". As declarações ainda devem ser analisadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, devido ao foro privilegiado do tucano.

mockup