Analistas veem poucas chances de eleições serem definidas no dia 4
Cientistas políticos ouvidos pela FOLHA descartam definição do pleito no primeiro turno, tanto para a Presidência quanto para o governo do Paraná
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Cientistas políticos ouvidos pela FOLHA descartam definição do pleito no primeiro turno, tanto para a Presidência quanto para o governo do Paraná

Curitiba - A proximidade das eleições faz com que uma parcela dos eleitores indecisos defina seus candidatos e descartem as candidaturas consideradas inviáveis, o que produz um efeito de “antecipação” das disputas no segundo turno. Apesar de alguns institutos mostrarem candidatos a cargos à Presidência e ao governo perto de uma vitória já no dia 4 de outubro, ainda é cedo para se falar em definição no primeiro turno, avaliam cientistas políticos consultados pela FOLHA.
No plano nacional, a situação é de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo os dois maiores institutos de pesquisa do país, Datafolha e Quaest. O levantamento da Datafolha divulgado na quinta-feira (24) mostrou Lula com 40% e Bolsonaro com 36%, empatados na margem de erro (dois pontos percentuais para mais ou para menos).
A pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28), mostra um cenário semelhante: Lula pontou 39% contra 34% de Flávio. Na simulação de 2º turno, a pesquisa apontou empate entre Flávio (42%) e Lula (42%). O cenário se alterou em relação ao levantamento do último dia 21 quando Lula pontuou 37% contra 33% de Flávio no primeiro turno. Outro empate na margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos (o presidente pode ter entre 35% e 39% e a intenção de votos no senador pode oscilar entre 31% e 35%).
Os dois institutos mostram ainda que nenhum dos demais candidatos chega a 10%. Segundo a Quaest desta segunda, Augusto Cury (Avante) tem 4%; Ronaldo Caiado (PSD), 4%; Renan Santos (Missão), 3%; e Romeu Zema (Novo), 1%. No Datafolha, Cury tem 5% e os demais candidatos apresentam os mesmo índices. A campanha que mais perdeu terreno nas últimas semanas foi a de Augusto Cury, que chegou a pontuar 10% na pesquisa Quaest divulgada em 2 de setembro.
DESIDRATAÇÃO DOS DEMAIS CANDIDATOS
“Essa disputa acirrada entre Flávio e Lula tendem a desidratar as demais candidaturas, porque elas não se mostraram viáveis como terceira opção”, explica o mestre em Ciência Política e assessor de políticas públicas Gabriel Marcondes de Moura. “É uma antecipação do segundo turno. A pessoa deixa de votar em um candidato para votar naquele que pode derrotar o candidato que o eleitor não quer que ganhe. É uma atração por rejeição. É por isso que Augusto Cury apresentou aquele ‘voo de galinha’ e não conseguiu se sustentar, e os demais candidatos patinam.”
Com a polarização, Moura diz ver pouca chance de uma definição no primeiro turno – que exigiria 50% dos votos válidos (sem contar nulos e brancos) mais um. “Acho muito improvável uma definição em primeiro turno, por mais que os demais candidatos desidratem, é pouco provável que tenhamos uma definição em primeiro turno. É bem improvável que qualquer um dos dois lados alcance 50% mais um dos votos válidos no pleito de primeiro turno.”
Cientista político e professor da PUCPR em Londrina, Mário Sérgio Lepre concorda que a reta final da campanha tende a afunilar as intenções de voto – e desidratar os candidatos que não estão entre os favoritos. “A última semana decide muito. Se alguma campanha está conseguindo atrair o interesse e o eleitor percebe que o seu candidato não vai chegar o segundo turno, ele migra. Isso aí é muito normal, depende muito das conjunturas.”
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STF E BANCO MASTER
Novas revelações do caso do Banco Master a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) podem influenciar na reta final da campanha. Quatro ministros da Suprema Corte são acusados de ligação com Daniel Vorcaro, dono do Master, que está preso deste março: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Kássio Nunes Marques e Luiz Fux. Moraes é identificado pelo eleitorado como ligado a Lula (apesar de ter sido indicado por Michel Temer). Mendonça e Nunes Marques foram indicados por Jair Bolsonaro.
Por enquanto a balança pesa contra o grupo bolsonarista: Flávio Bolsonaro admitiu ter recebido R$ 61 milhões de Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse” (sobre a trajetória de Jair Bolsonaro). Na última semana, foi revelado que o senador viajou dos Estados Unidos para o Brasil em um jatinho administrado por uma empresa de Vorcaro, em janeiro de 2025. Alexandre de Moraes viajou na mesma aeronave meses depois.
“O escândalo do Banco Master e o envolvimento direto de figuras centrais do STF trouxe um alto nível de imprevisibilidade para o cenário eleitoral. Temos que acompanhar como o eleitor mediano, está vendo esse caso e se isso tende a impactar na sua decisão do voto”, diz Gabriel Marcondes de Moura. “É importante ver como o eleitor do voto econômico, do centro, que é um eleitorado miúdo, mas com potencial de definição para qualquer um dos dois lados, tende a enxergar os desdobramentos desse escândalo.”
Outro fator são os indecisos. Para Mário Sergio Lepre, a identificação do governo Lula com o Supremo poderá gerar desgaste para o candidato governista na reta final da campanha. “Existe o eleitor consolidado, que vai fazer com que esses dois candidatos vão para o segundo turno. Mas o governo está muito emaranhado com essa questão do Supremo. O eleitor pode começar a perceber que a vitória do governo é a vitória do Supremo. Isso poderá levar o eleitor independente para a candidatura do Flávio Bolsonaro no primeiro turno.”
PARANÁ
Na disputa pelo governo do Paraná, o candidato do PL, Sergio Moro, liderou todas as pesquisas durante a campanha, mas a sondagem da Quaest divulga na quinta-feira mostrou que a tendência é de segundo turno no estado. Moro apareceu com 36%, contra 20% de Sandro Alex (PSD) e 20% de Requião Filho (PDT). Os adversários de Moro têm juntos 43% – somadas as intenções de 1% dadas aos candidatos Alexandre Salomão (Mobiliza), Luiz França (Missão) e Tayná Miessa (Unidade Popular).
O único candidato que oscilou acima da margem de erro em relação à pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto foi Sandro Alex, que passou de 15% para 20%. Moro caiu dentro da margem de erro, de 37% para 36%. Requião Filho que tinha 21% e passou para 20%, também oscilou negativamente dentro da margem de erro.
“Os números apontam que Moro é franco favorito, mas liquidar em primeiro turno ainda é incerto. Sandro Alex é o candidato que apresenta o crescimento mais sustentável ao longo das pesquisas. Já saiu da casa abaixo dos 10%, superou a casa dos 10%, dos 15% e na última empatou com o Requião Filho na segunda colocação”, avalia Gabriel Marcondes de Moura. “A única candidatura que apresenta tendência de crescimento é o Sandro Alex. É muito provável que a disputa no segundo turno ocorra entre Moro e Alex. E segundo turno é outra eleição. Em 1990, José Carlos Martinez liderava o primeiro turno e foi ao segundo com Roberto Requião, que conseguiu virar a eleição. Segundo turno no Paraná costuma ter viradas.”
Lepre atribui o crescimento de Sandro Alex à participação do governador Ratinho Junior (PSD) na campanha. “O Sergio Moro sempre esteve mais consolidado na frente, mas o governador é um grande player. No Paraná, o governador é aquele que desequilibra”, afirma. “Moro tinha possibilidades de vencer em primeiro turno, mas lá atrás a gente já falava que o candidato do governador acaba tendo muitos apoios. E no Paraná ainda tem uma terceira força, que é o Requião Filho. Essa terceira força não está colada em um outro candidato, está com um candidato que também pleiteia. A esquerda não vai deixar de votar no Requião e ele vai ter uma porcentagem significativa de votos lá. É mais difícil ter uma definição no primeiro turno, por conta dessa divisão dos votos entre três candidatos.”
METODOLOGIAS
Datafolha para presidente de 24 de setembro: foram ouvidas 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 22 e 23 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-00304/2026.
Datafolha para presidente de 17 de setembro: foram ouvidas ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 15 e 16 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-04029/2026.
Quaest para presidente 28 de setembro: foram ouvidas 2.004 pessoas entre os dias 24 e 27 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança é de 95%. O protocolo de registro na Justiça Eleitoral é BR-06520/2026
Quaest para presidente de 14 de setembro: foram ouvidas 2.004 pessoas de 16 entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-03607/2026.
Quaest para presidente de 2 de setembro: foram ouvidas 2.004 pessoas entre os dias 39 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-07065/2026
Quaest para presidente de 2 de setembro: foram ouvidas 2.004 pessoas entre os dias 39 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-07065/2026
Quaest para presidente de 21 de setembro: foram ouvidas 2.004 eleitores pessoas entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança e de 95%. Registro no TSE: BR-06004/2026.
Quaest para o governo do Paraná de 24 de agosto: foram ouvidas 804 pessoas entre os dias 20 e 23 de agosto. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos ,e o nível de confiança é de 95%. Registro na Justiça Eleitoral: PR-05388/2026.
Quaest para o governo do Paraná de 24 de setembro: foram ouvidas 804 pessoas entre os dias 20 e 23 de agosto. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro na Justiça Eleitoral: PR-05388/2026.


José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.





