A diversidade de opiniões sobre o pano de fundo político do novo segundo turno das eleições para prefeito de Londrina se dissipa em pelo menos um ponto: a previsão de que a disputa entre Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT) será acirrada e decidida voto a voto. No primeiro turno, realizado em 5 de outubro, Barbosa foi ultrapassado por Hauly quando a apuração das urnas passava de 94%. No final, o tucano alcançou apenas 1.871 votos a mais que o pedetista - 63.811 a 62.020. No segundo turno, Antonio Belinati (PP) bateu Hauly por uma diferença de 3,46 pontos percentuais, ou 9.301 votos válidos.
O cientista político Marco Rossi acredita que os resultados indicam a existência de dois grupos políticos bastante distintos em Londrina. ''Eles formam uma bipolarização. Barbosa e Belinati são muito ligados ao caldo de cultura do populismo e o Hauly - sem entrar no mérito - representa uma oposição a esse grupo'', afirma. ''Por representarem duas tendências que alcançam quase metade do eleitorado cada um, a disputa tende a ser muito acirrada.''
O cientista político Mário Sérgio Lepre concorda que nenhum dos dois candidatos vencerá de ''barbada''. ''É grande a possibilidade de termos novamente aquelas decisões típicas de Londrina, no último momento'', disse. De acordo com Lepre, o acirramento é um ponto positivo da política local - porque coloca à prova os projetos políticos. ''Só fica ruim quando se parte para as agressões e xingamentos.''
Afora a disputa acirrada, os estudiosos discordam sobre os outros aspectos que envolvem o ''terceiro turno'' - a começar pela importância dos apoios políticos para o resultado da votação.
Rossi acha que, como os partidos não são valorizados no Brasil, a transferência de votos é muito pequena. ''Em geral, os partidos são apenas instrumentos de poucas lideranças. E a população não vota nos partidos.'' Segundo ele, há maior possibilidade de transferência de votos se Barbosa Neto conseguir se afirmar como ''sucessor de Belinati''.
Já Lepre acredita que as coligações podem ser decisivas para o resultado do pleito. ''O apoio político sempre é importante no Brasil. Muitas vezes a máquina pública faz a diferença'', afirmou. De acordo com ele, a composição política da gestão interina, liderada por José Roque Neto (PTB), pode dar vantagem para Hauly - já que o PSDB faz parte do governo. ''É pouco provável que essa formação do governo beneficie Barbosa.''
Outra divergência entre os especialistas se refere à possibilidade de aumento do número de abstenções, e de votos brancos e nulos. ''Não creio nisso. Os candidatos acabam empolgando no final. Eleição é sempre assim, começa como uma coisa meio chata mas esquenta perto da votação'', afirmou Lepre.
Por outro lado, Rossi avalia que a ''abstenção pode aumentar sim''. ''A população está desgostosa e se não houver uma campanha propositiva, que melhore a auto-estima da cidade, a apatia pode aumentar.'' Rossi ressalvou, porém, que o índice de abstenções, e votos brancos e nulos, já é altíssimo nas eleições normais. ''Em alguns casos, essa soma chega à metade do eleitorado'', apontou. Nas eleições de outubro passado, 58.236 (17,03%) eleitores londrinenses não compareceram às urnas no segundo turno, 1,07% do que o registrado no primeiro turno.

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