Analistas estrangeiros vêem o real sob ameaça
Agência Folha
De São Paulo
O ajuste fiscal será a chave para o Brasil conseguir manter sua moeda estável e promover crescimento econômico, segundo opinião colhida com professores de economia de oito países. Gerar confiança a partir da seriedade do governo é a melhor medida para ganhar estabilidade e crescimento, diz José Antonio Castro, da Faculdade de Mar del Plata. A desvalorização da moeda é uma medida de curto prazo. Como a Argentina está fazendo, o governo brasileiro precisa colocar em prática um acerto interno, que evite colocar em risco toda a economia do País.
Segundo os professores, o governo brasileiro precisa ajustar suas contas públicas, deixando de gastar mais do que arrecada. Para a russa Olga Belokrylova, da Universidade Rostov, Brasil e Rússia têm um desafio em comum: o ajuste de contas. Não basta aumentar os impostos. É importante adotar medidas duras.
O maior problema brasileiro está no déficit fiscal. A crise atual vai continuar até que o governo arrume a situação. Mas as pessoas precisam eleger políticos que tenham coragem de adotar medidas impopulares, mas necessárias para resolver o problema, afirmou o mexicano Jorge Gonzalez.
Para o francês Jean-Pierre Lehmann, especialista em mercados internacionais, o maior problema brasileiro, agora, é político. A área política está ruim e o presidente (Fernando Henrique) Cardoso não parece hábil o suficiente para exercer o controle da situação. A economia está sofrendo as consequências.
Para ele, o aumento rápido da taxa de desemprego e suas consequências sociais enfraqueceram o presidente. Fica mais difícil implantar uma série de reformas, afirmou. Segundo o IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 7,7% da PEA (População Economicamente Ativa) está sem emprego no País. Para o australiano Peter Dixon, no entanto, o desempenho da economia brasileira neste ano é surpreendente. Os sinais indicavam que a recessão seria muito pior e mais duradoura, afirmou.
Sobre a Argentina, os analistas acham que o país não tem condições de desvalorizar a sua moeda com êxito. A memória coletiva da hiperinflação e a estrutura econômica atual gerariam violentos desajustes, provocando imediata alta de preços, afirmou José Antonio Castro.





